O ex-vice-primeiro-ministro da Espanha e fundador do partido Podemos, Pablo Iglesias, reagiu às acusações contidas em um relatório do governo dos Estados Unidos, divulgado pelo Departamento de Estado. O documento, intitulado “Cuba: The Capital of 21st Century Communism”, lista lideranças progressistas internacionais, incluindo Iglesias, como parte de uma suposta rede de influência e propaganda de Havana. Em resposta, Iglesias utilizou suas redes sociais para classificar a iniciativa como uma tentativa de perseguição política e criminalização da esquerda em nível global.

O relatório de cem páginas acusa Cuba de ser um centro de espionagem e subversão ideológica global. A lista de nomes inclui ativistas, jornalistas e políticos internacionais que, segundo o governo norte-americano, estariam envolvidos em atividades promovidas pela ilha caribenha.

Críticas e comparações históricas

Em sua manifestação, Pablo Iglesias comparou a ação do governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump e liderada por Marco Rubio, às campanhas de caça às bruxas ocorridas durante a Guerra Fria. Ele fez uma alusão direta ao Macarthismo, fenômeno da década de 1950 liderado pelo senador Joseph McCarthy, que resultou em perseguição sistemática, censura e criminalização de comunistas, artistas, intelectuais e militantes de esquerda nos EUA. Segundo Iglesias, ao rotular oponentes políticos e produzir relatórios acusatórios, os Estados Unidos buscam justificar retaliações e um cerco contra vozes dissidentes e anti-imperialistas em todo o mundo.

Reação e lista de nomes

Apesar das ameaças implícitas no documento oficial da diplomacia estadunidense, Pablo Iglesias demonstrou altivez ao ser mencionado pelo Departamento de Estado. “Uma honra estar nessa lista com Jeremy Corbyn, Thiago Ávila e Manolo De Los Santos”, declarou em uma publicação. Ele se referiu ao ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn; ao ativista socioambiental brasileiro Thiago Ávila; e ao organizador político e diretor do The People’s Forum, Manolo De Los Santos. Todos foram citados no dossiê de Washington por supostamente integrarem redes de solidariedade internacional ao povo cubano e por denunciarem o bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba.

A inclusão de comunicadores, ex-membros do parlamento europeu e militantes sociais no relatório “Cuba: The Capital of 21st Century Communism” evidencia o endurecimento da política externa norte-americana e a retórica anticomunista do governo Trump.