247 – Paris recebeu um pedido para declarar o presidente argentino Javier Milei persona non grata antes da Argentina Week, evento previsto para ocorrer entre o fim de setembro e o início de outubro. A iniciativa, apresentada por políticos, intelectuais e representantes do setor cultural, critica políticas adotadas pelo governo argentino e solicita que a capital francesa não conceda recepção oficial ou distinção institucional ao mandatário.

As informações foram publicadas pela teleSUR nesta quarta-feira (2). Segundo a emissora, a petição foi encaminhada ao Conselho de Paris e reúne nomes ligados à política, à cultura e à defesa dos direitos humanos na França.

O documento pede que autoridades municipais rejeitem qualquer homenagem institucional a Milei durante sua passagem pela capital francesa. Os signatários relacionam a solicitação às políticas de austeridade implementadas pela administração argentina e às posições do governo em temas sociais e históricos.

Entre as críticas apresentadas estão o enfraquecimento de serviços públicos, retrocessos apontados pelos autores da petição em direitos das mulheres, a atuação das forças de segurança durante manifestações e a postura do governo em relação aos crimes cometidos durante a última ditadura militar argentina.

A iniciativa também menciona a situação da Casa Argentina, residência estudantil instalada na Cité Internationale Universitaire de Paris e historicamente vinculada à comunidade acadêmica e cultural argentina na França.

Entre os signatários citados pela teleSUR estão a vereadora de Paris Geneviève Garrigos, o deputado da Assembleia Nacional Rodrigo Arenas, a advogada Sophie Thonon, o ator Nahuel Pérez Biscayart e os cineastas Santiago Amigorena e Alberto Marquardt.

Thonon atua na representação de familiares de cidadãos franceses desaparecidos durante a ditadura argentina.

A Casa Argentina tornou-se um dos pontos centrais da controvérsia depois da nomeação do advogado Santiago Muzio para dirigir a instituição.

Segundo a reportagem, a Prefeitura de Paris já havia manifestado preocupação ao Ministério das Relações Exteriores da França em relação a decisões tomadas na residência após a mudança de direção.

Entre os episódios questionados estão expulsões de moradores, a retirada de uma placa em homenagem a desaparecidos durante a ditadura e a realização de atividades que, segundo os críticos, serviriam para divulgar ideias da extrema direita.

A residência tem importância histórica para a presença argentina na França. Entre as personalidades que passaram pelo espaço está o escritor Julio Cortázar, um dos principais nomes da literatura latino-americana do século 20.

Os autores da petição defendem que Paris reafirme apoio a setores democráticos da sociedade argentina e utilize a eventual visita de Milei para sinalizar oposição às políticas contestadas pelo grupo.

A mobilização ocorre enquanto o governo argentino enfrenta indicadores de desgaste registrados em pesquisas de opinião.

Segundo levantamento da consultoria Equipo Mide citado pela teleSUR, 58% dos entrevistados desaprovavam a administração de Milei. Desse total, 43% classificaram o governo como “muy mala” e 15% como “mala”.

Outros 24% avaliaram a gestão como “buena”, enquanto 14% responderam “muy buena”, conforme os dados reproduzidos pela emissora.

O levantamento também indicou que parte dos eleitores que apoiaram a La Libertad Avanza no primeiro turno da eleição presidencial de 2023 defende mudanças na condução da política econômica, com maior atenção à recuperação do consumo.

A petição apresentada em Paris não tem, por si só, efeito sobre a entrada de Milei na França. O pedido é direcionado às autoridades municipais e busca impedir homenagens, recepções oficiais ou outros gestos institucionais da capital francesa durante a passagem do presidente argentino.