247 – Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, afirmou que não pretende privatizar as linhas do Metrô paulista caso seja eleito e criticou a política de transferência de serviços públicos para a iniciativa privada. Segundo ele, a prioridade de seu eventual governo será o usuário do transporte, e não os interesses do setor privado.
As declarações foram dadas nesta segunda-feira (21) em entrevista à Record TV, em reportagem publicada pelo UOL. Haddad também prometeu revisar contratos firmados durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), incluindo o acordo da Sabesp.
“Eu não vou privatizar as linhas do metrô, e nem as novas, e nem as que não foram privatizadas, porque isso não está dando certo para o usuário”, afirmou Haddad.
O candidato disse ainda que pretende alterar a relação do governo paulista com os grupos privados responsáveis por serviços públicos.
“O estado de São Paulo, sob o meu comando, vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado. A Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho, porque ela tem muita ganância para se apropriar do que é público e pouca vontade de entregar o que prometeu antes da privatização”, declarou.
Haddad afirmou ainda que pretende interromper o que chamou de “esquema” de venda de ativos estaduais e disse que vai “colocar o setor privado na linha”.
Contratos de Tarcísio serão revistos, diz Haddad
Além de rejeitar novas privatizações do Metrô, Haddad afirmou que pretende revisar os contratos assinados pela administração Tarcísio. O candidato comparou a medida ao trabalho realizado por ele quando comandou o Ministério da Fazenda.
“Eu pretendo rever todos os contratos assinados pelo Tarcísio, assim como eu fiz quando eu fui ministro da Fazenda. Eu tive que rever os contratos que ele assinou quando ele era ministro da Infraestrutura, que eram lesivos ao interesse público”, disse.
Segundo Haddad, a revisão poderia permitir a recuperação de recursos para os cofres estaduais, a valorização dos serviços públicos e a realização de novos investimentos.
A declaração amplia o contraste entre as propostas dos dois candidatos sobre o papel da iniciativa privada na infraestrutura paulista. Enquanto Tarcísio conduziu privatizações e concessões durante seu mandato, Haddad afirma que pretende revisar acordos existentes e manter determinadas áreas sob controle estatal.
Haddad admite retomada da Sabesp em caso de descumprimento
O candidato também voltou a tratar da privatização da Sabesp. Segundo ele, o primeiro passo seria revisar o contrato e cobrar o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa.
“Depois você pode judicializar se a empresa não cumprir o contrato que foi aditado com novas cláusulas. E se você judicializar e nada resolver, você pode sim reestatizar, mas sem pagar indenização para empresa”, afirmou.
Haddad acrescentou que uma eventual retomada do controle público ocorreria somente após a revisão contratual e uma possível disputa judicial.
“Eu vou rever o contrato primeiro e, se ela não cumprir, eu vou judicializar e eventualmente retomar a empresa para o controle público”, declarou.
Transporte público e Milton Leite
Durante a entrevista, Haddad também falou sobre os contratos do transporte coletivo na capital paulista. O candidato afirmou que, durante sua gestão como prefeito de São Paulo, não houve denúncia do Ministério Público contra sua administração por corrupção nesses contratos.
“Depois que eu saí começou a farra”, disse.
A declaração foi dada após uma pergunta sobre combate à corrupção que mencionou a prisão do ex-vereador Milton Leite (União Brasil) no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
Haddad relacionou o episódio ao atual governador: “Três semanas atrás, o Tarcísio estava pedindo voto para os filhos dele (Milton Leite) aqui na zona sul de São Paulo”, afirmou.
Proposta de agência antifacção
Haddad também voltou a defender a criação de uma agência estadual para coordenar o combate ao crime organizado, reunindo órgãos estaduais e federais.
“Uma agência presidida pelo governador, onde terão assento as Polícias de São Paulo, o Ministério Público de São Paulo, mas também a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal”, explicou.






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