247 – A 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levou à Praça da Sé, no centro de São Paulo, nesta segunda-feira (7), manifestações em defesa da soberania nacional, do direito à moradia, da ampliação de programas sociais e do fim da escala 6×1. O ato ocorreu no feriado de 7 de Setembro e reuniu centrais sindicais, movimentos populares, igrejas e organizações sociais.

Neste ano, a mobilização adotou o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania”, em referência ao Grito da Independência e à tradição do movimento de contrapor as celebrações oficiais do feriado às reivindicações de setores populares.

A defesa da soberania nacional esteve entre os principais eixos dos discursos. Manifestantes citaram pressões externas em acordos comerciais, ataques às urnas eletrônicas brasileiras e questionamentos ao Pix como ameaças ao país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi alvo de críticas durante o ato. Em uma das manifestações, os participantes afirmaram: “Trump tire a mão das terras raras do Brasil.”

A pauta trabalhista também ganhou destaque, especialmente a defesa do fim da escala 6×1. As centrais sindicais associaram a mobilização à preservação de direitos e à necessidade de ampliar conquistas sociais. A Intersindical defendeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando a continuidade do governo como caminho para manter direitos conquistados.

Outro ponto central do protesto foi a situação da população em situação de rua em São Paulo. Os manifestantes cobraram “mais moradias e programas sociais voltados aos moradores em situação de rua” e criticaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado. Durante o ato, participantes afirmaram: “Impossível São Paulo, a cidade mais rica do estado, ter cerca 90 mil pessoas nessa situação. Fora Tarcísio, fora Derrite.”

A violência contra as mulheres também apareceu entre as principais reivindicações. Faixas exibidas na Praça da Sé traziam mensagens como “basta de violência contra mulher” e “parem de nos matar”, em crítica ao aumento dos casos de feminicídio e à permanência da violência de gênero no país.

Realizado anualmente no 7 de Setembro, o Grito dos Excluídos e Excluídas busca dar visibilidade a demandas sociais no mesmo dia em que o país celebra a Independência. Em 2026, a edição paulistana concentrou sua mensagem na defesa da soberania, da moradia, dos direitos trabalhistas, da proteção às mulheres e de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.