Documentos públicos relacionados à entrada do Banco Master no capital da Oncoclínicas, divulgados em maio de 2024, não indicam resistência do Goldman Sachs à operação. Pelo contrário, veículos ligados ao banco americano cederam direitos de preferência, conselheiros associados ao controlador votaram a favor e um executivo do Goldman endossou publicamente a transação.
Em 22 de maio de 2024, o conselho de administração da Oncoclínicas aprovou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, com emissão de 115,4 milhões de ações a R$ 13 cada. Dois fundos apresentados como veículos ancorados pelo Banco Master comprometeram-se a subscrever até R$ 1 bilhão, enquanto o fundador e CEO Bruno Ferrari assumiu o compromisso de aportar até R$ 500 milhões. O preço das ações foi respaldado por uma avaliação da XP Finanças, que usou fluxo de caixa descontado e múltiplos de mercado, mas não há indicação de que tenha incluído diligência sobre o Banco Master ou seus beneficiários finais.
Votação unânime sem ressalvas
Ferrari declarou-se impedido de participar da deliberação por ter interesse pessoal na operação. Os outros seis conselheiros aprovaram o acordo de investimento e o aumento de capital por unanimidade, sem ressalvas, conforme a ata. Entre os votos favoráveis estavam os de David Castelblanco, presidente do conselho e ex-managing director do Goldman Sachs; Allen Gibson, identificado como eleito pelo acionista controlador; e João Carlos Figueiredo Padin, então responsável pela área de Corporate Equity do Goldman na América Latina. Não há registro de pedido de diligência sobre os fundos do Master, questionamentos sobre beneficiários finais, análise reputacional ou qualquer voto contrário ou adiamento.
O apoio do Goldman foi além do voto. Os fundos Josephina I e Josephina II, ligados ao banco americano, cederam a totalidade de seus direitos de preferência aos fundos do Master, ampliando o espaço para a subscrição das novas ações. A primeira versão pública da operação, divulgada poucas horas após a reunião, atribuiu a Daniel Vorcaro uma declaração em que ele descrevia o investimento na Oncoclínicas “ao lado do Goldman Sachs” como “uma imensa oportunidade”. Padin também endossou a transação, afirmando que ela demonstrava a atratividade do modelo de negócios da companhia e que os recursos seriam importantes para sua estratégia de crescimento.
Desdobramentos posteriores
Em julho de 2024, o Banco Master informou que fundos controlados por ele e seus controladores haviam alcançado 20,18% do capital da Oncoclínicas, sendo 11,97% nos veículos do aumento de capital e 8,20% em fundos administrados pela WNT. Em abril de 2026, o Tribunal do Cade concluiu que a aquisição havia sido consumada antes da análise obrigatória, determinando a notificação formal. Josephina I e II também aparecem em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a identificação do proprietário final de suas participações, que levou ao indiciamento do executivo Felipe Guerra Acosta e do ex-conselheiro Natan Lima Reinig por suposto fornecimento de informações incorretas. O Goldman Sachs afirma que as acusações não têm fundamento e que agiu adequadamente.







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