Durante o evento de apresentação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na disputa pela Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) fez uma declaração controversa. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (5), o candidato associou a criação de suas duas filhas à expectativa de ser cuidado por elas na velhice, afirmando que as mulheres frequentemente assumem essa responsabilidade. A fala gerou repercussão, especialmente por ocorrer após meses de declarações sobre a intenção de ter uma mulher na chapa.

Bolsonaro detalhou sua visão sobre o papel feminino no cuidado aos idosos: “Na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, vou ter quem vai tomar conta de mim porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade”. No mesmo evento, ele mencionou ter aprendido sobre a "economia do cuidado", que abrange a assistência a crianças, idosos e pessoas dependentes.

Reversão de planos e descontentamento interno

A escolha de Alfredo Gaspar como vice representou uma mudança significativa na estratégia do candidato, que durante a pré-campanha havia defendido publicamente a inclusão de uma mulher na chapa. O objetivo inicial era conquistar o eleitorado feminino e buscar alianças com outros partidos. A decisão consolidou uma chapa composta por dois integrantes do PL e frustrou a ala feminina da legenda, que esperava maior representatividade.

Integrantes femininas do partido, que trabalharam pela indicação de uma mulher, passaram a questionar a alteração dos planos, avaliando que o próprio partido tinha nomes femininos aptos para a função. A mudança é vista como um distanciamento da campanha da proposta reiterada por Bolsonaro nos meses anteriores.

Negociações com nomes femininos

As negociações para a vaga de vice incluíram nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Tereza Cristina, vista como uma oportunidade de ampliar a chapa e firmar aliança com outro partido, não obteve autorização do PP para aceitar o convite. Posteriormente, aliados de Bolsonaro tentaram a ex-dirigente Daniella Marques, próxima a Michelle Bolsonaro, mas o Republicanos, seu novo partido, optou por não integrar a coligação, inviabilizando sua participação.

Na reta final, a deputada Priscila Costa (PL-CE) também foi sondada. No entanto, seu projeto político próprio e o custo de abandonar essa construção para assumir a candidatura a vice dificultaram o avanço da alternativa. Diante da falta de acordo com os nomes femininos avaliados, Flávio Bolsonaro optou por Alfredo Gaspar, abandonando sua preferência inicial.

A escolha de Gaspar e as declarações sobre as filhas provocaram debate interno sobre a estratégia do PL, especialmente quanto ao impacto na relação do candidato com as eleitoras.