247 – A Fitch Ratings elevou de BBB- para BBB os ratings de longo prazo da Embraer em moedas estrangeira e local nesta quarta-feira (9) e manteve a perspectiva estável. A nova nota permanece na faixa de grau de investimento e está um nível acima do patamar mínimo dessa categoria.
Segundo comunicado, a decisão reflete a ampliação da diversidade geográfica e de produtos da fabricante, a maior previsibilidade das receitas no médio prazo e a recuperação das margens, favorecida por ganhos de escala e medidas de redução de custos.
A agência também confirmou o rating nacional de longo prazo da companhia em AAA(bra). As notas seniores sem garantia emitidas pela Embraer Netherlands Finance BV subiram de BBB- para BBB.
A avaliação considera ainda a redução dos gargalos na cadeia de suprimentos ao longo de 2026, a posição competitiva da empresa e a expansão de áreas que diminuem a dependência das entregas de aviões comerciais. Entre elas estão defesa e segurança, serviços e suporte e aviação executiva.
A Fitch ressaltou que a Embraer mantém histórico de geração positiva de fluxo de caixa livre, alavancagem conservadora e liquidez robusta. Esses fatores, segundo a agência, ampliam a capacidade da companhia de cumprir compromissos financeiros durante períodos de oscilação no setor aéreo.
Carteira amplia visibilidade das receitas
A carteira de pedidos da Embraer alcançou o recorde de US$ 34,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16% na comparação anual. O volume corresponde a cerca de quatro anos de receitas, considerando o ritmo atual de entregas.
A fabricante entregou 109 aeronaves nos seis primeiros meses do ano, avanço de 20% sobre o mesmo período de 2025. Para a Fitch, os pedidos distribuídos entre diferentes produtos e regiões demonstram aceitação comercial e reduzem parte dos riscos associados à menor escala da companhia diante de concorrentes como Airbus e Boeing.
A expansão dos serviços e do suporte ao cliente também fortaleceu o perfil operacional da Embraer. Esse segmento gera receitas recorrentes e margens mais elevadas, o que ajuda a compensar a natureza cíclica das vendas de aeronaves.
Na área de defesa, os contratos internacionais do cargueiro KC-390 ampliaram a base de clientes para além da Força Aérea Brasileira. A Fitch considera que essa diversificação contribui para uma composição mais equilibrada das receitas em relação ao período anterior à pandemia.
A agência classificou a Embraer como a terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais em número de entregas e líder no mercado de jatos com menos de 150 assentos. Na aviação executiva, a empresa detém aproximadamente 30% do mercado, segundo o relatório.
A concentração geográfica, contudo, permanece como um ponto de atenção. A América do Norte responde por cerca de 60% das receitas, o que expõe a companhia às decisões de capacidade das empresas aéreas regionais, às limitações contratuais conhecidas como scope clauses e à política comercial dos Estados Unidos.
Margens e geração de caixa
A Fitch projeta que a Embraer alcance margem Ebit entre 9% e 10% e margem Ebitda entre 12% e 13% no período de 2026 a 2028. O Ebitda anual deve ficar entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,3 bilhão.
A melhora resulta da recuperação do volume de entregas, das reduções de custos implementadas desde a pandemia, da composição mais rentável dos produtos vendidos e do crescimento da divisão de serviços. Apesar do avanço, as margens ainda permanecem abaixo das registradas por fabricantes aeroespaciais de maior porte.
A agência estima investimentos consolidados de aproximadamente US$ 550 milhões por ano. As projeções também incorporam consumo anual de caixa próximo de US$ 250 milhões pela Eve, empresa dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical.
A Eve ainda está em fase pré-operacional e não deve gerar receitas significativas durante o desenvolvimento do projeto. A companhia mantinha cerca de US$ 400 milhões em caixa e investimentos financeiros no segundo trimestre, além de liquidez total de US$ 530 milhões, incluindo linhas não utilizadas do BNDES e recursos de subvenção.
Segundo a Fitch, esse volume deve financiar as operações e os investimentos da Eve até 2028 sem necessidade de aporte acionário relevante da Embraer. Atrasos na certificação, porém, poderiam pressionar o fluxo de caixa consolidado.
Liquidez cobre amortizações até 2035
A Embraer tinha dívida de US$ 2,5 bilhões em 30 de junho. Os títulos transfronteiriços sem garantia representavam 65% do total, enquanto os US$ 312 milhões em obrigações da Eve correspondiam a 12%.
O caixa imediatamente disponível da Embraer somava US$ 2 bilhões, sem considerar os US$ 403 milhões mantidos pela Eve. Conforme a análise da Fitch, o montante é suficiente para cobrir as amortizações previstas até pelo menos 2035.
A liquidez também é apoiada por uma linha de crédito rotativa de US$ 1 bilhão, com vencimento em 2029. Cerca de 90% do caixa, dos equivalentes de caixa e dos investimentos financeiros estavam denominados em US$, e uma parcela relevante desses recursos era mantida fora do Brasil.
A Fitch afirmou que o teto soberano brasileiro não limita a nota da Embraer. A agência citou a presença de US$ 1,2 bilhão em caixa e aplicações no exterior, a obtenção de aproximadamente 85% das receitas em moeda forte e o acesso à linha de crédito contratada com instituições internacionais.
Fatores que podem alterar o rating
Uma futura redução da nota poderia ocorrer se a companhia perdesse competitividade, registrasse margem Ebitda persistentemente abaixo de 10%, enfrentasse atrasos prolongados nas entregas ou passasse a gerar fluxo de caixa livre negativo de maneira recorrente.
A Fitch também acompanha a relação entre a carteira de pedidos e a receita, além dos índices de endividamento. Alavancagem Ebitda superior a 2,5 vezes e alavancagem líquida acima de uma vez poderiam pressionar a avaliação.
A agência não prevê outra elevação no curto prazo. Uma eventual melhora dependeria de aumento sustentado da escala e da diversificação, margem Ebitda superior a 14%, fluxo de caixa livre positivo e manutenção de uma estrutura conservadora de capital.






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