247 – Uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal defende que o presidente da Corte, Edson Fachin, assuma a relatoria da apuração sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como forma de reduzir a tensão interna provocada pelo caso. A informação foi publicada pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Integrantes do STF avaliam que a crise pode perder força caso Fachin avoque para si a condução do procedimento, hoje em meio a forte disputa sobre o rito adotado pelo ministro André Mendonça.
O pedido de investigação contra Moraes foi feito por Mendonça, relator do Caso Master no Supremo. A iniciativa provocou forte reação no tribunal, sobretudo depois que o ministro decidiu retirar o sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.
Aliados de Moraes acusam Mendonça de ter atropelado o rito processual e de agir com objetivos eleitorais. O ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presidenciável do mesmo partido.
Diante do agravamento da crise, descrita como uma das mais graves já enfrentadas pela Corte, ministros passaram a defender que Fachin, na condição de presidente do Supremo, centralize a relatoria da apuração. A medida é vista por esse grupo como uma tentativa de reorganizar institucionalmente o caso e conter a escalada de desgaste dentro e fora do tribunal.
Em manifestação na manhã desta quarta-feira (2), Fachin afirmou que os “indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”. O presidente do STF também pregou cautela antes de anunciar qualquer medida.
“Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas que cabíveis e necessárias”, declarou.
Na mesma manifestação, Fachin disse que momentos de gravidade exigem a preservação da integridade do Supremo, da autoridade de suas decisões e da confiança da sociedade na instituição. O ministro também afirmou que a posição ocupada por autoridades públicas não representa privilégio, mas impõe deveres e responsabilidades.
“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Para observadores do Judiciário citados pela coluna, o pronunciamento de Fachin sinalizou que poderá haver uma investigação envolvendo Moraes, mas com eventual anulação dos atos já praticados por Mendonça, como pediu a Procuradoria-Geral da República. Nesse cenário, a apuração passaria a ser conduzida pelo próprio presidente do Supremo.
A crise ocorre no contexto do Caso Master, investigação que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master. A exposição das mensagens entre o banqueiro e Moraes ampliou a pressão sobre o STF e abriu uma disputa interna sobre os limites da atuação de Mendonça na condução do caso.






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