As exportações brasileiras para a China registraram um recorde histórico no primeiro semestre de 2026, com o valor de US$ 58,3 bilhões, um crescimento de 22% na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), por meio de um levantamento de Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa da entidade. As importações da China também atingiram um recorde de US$ 38,5 bilhões, elevando a corrente de comércio bilateral a US$ 96,9 bilhões, o maior valor já registrado.

Essa relação comercial é crucial para a balança brasileira, gerando um superávit de US$ 19,8 bilhões para o Brasil com a China, representando 47% do saldo comercial total do país, que foi de US$ 42,4 bilhões no semestre. A China foi o destino de 31,6% de todas as exportações brasileiras, quase o triplo das vendas para os Estados Unidos, o segundo maior mercado. Por outro lado, a China foi responsável por 27% das importações brasileiras, o dobro da participação norte-americana.

Produtos em Destaque e Participação Estadual

A soja manteve a liderança entre os produtos exportados para a China, com US$ 20,2 bilhões em vendas, superando o total exportado pelo Brasil para os Estados Unidos em todos os produtos. O grão representou 34,7% da pauta de exportação brasileira para o mercado chinês. Contudo, o petróleo bruto se destacou com um crescimento de 62%, atingindo US$ 15,1 bilhões, impulsionado pelo aumento de volume e valorização. O minério de ferro também teve um semestre forte, com 135 milhões de toneladas exportadas e US$ 9,2 bilhões em receita.

A carne bovina registrou um recorde de US$ 4,8 bilhões em exportações para a China, um aumento de 50%. Este crescimento foi impulsionado pela busca dos exportadores brasileiros em aproveitar a cota de importação chinesa com tarifas reduzidas. Entre os estados, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China, com US$ 13,6 bilhões, sendo 94% desse valor proveniente do petróleo. Mato Grosso, com a soja, e Minas Gerais, com o minério de ferro, também tiveram participações significativas.

Importações e o Avanço dos Veículos Eletrificados

No lado das importações, os veículos eletrificados, incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in, representaram um marco. As compras desses veículos da China totalizaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre, mais que o dobro das importações totais do Brasil vindas da França. Esse aumento foi antecipado pela implementação de uma tarifa de importação de 35% em julho. A China forneceu 88% de todos os veículos eletrificados importados pelo Brasil, consolidando sua liderança neste setor.

Embora São Paulo tenha se mantido como o principal estado importador de produtos chineses, o Espírito Santo emergiu como um ponto chave, concentrando 57% do desembarque de veículos eletrificados da China. Cerca de 65% das importações capixabas da China foram compostas por veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in. Esses números demonstram um aprofundamento da relação econômica Brasil-China, com a China fortalecendo sua posição como um mercado essencial para commodities brasileiras e um fornecedor crescente de manufaturados e tecnologias avançadas para o Brasil.