Um toque durante o banho em agosto de 2025 mudou a vida da cirurgiã vascular Alanna Silva Huk, de 36 anos. Ao apalpar um nódulo na mama, ela procurou atendimento médico e, mesmo com o conhecimento profissional, enfrentou o medo ao receber o diagnóstico de câncer de mama.
A médica passou por ultrassonografia, mamografia, ressonância magnética e biópsia. Após uma segunda biópsia para definir a conduta, foi indicada para cirurgia e quimioterapia. Em outubro, iniciou a quimioterapia, com 16 sessões ao longo de cinco meses. Ao final do tratamento, passou por uma cirurgia para remoção do tumor e reconstrução mamária.
Durante o tratamento, Huk compartilhou sua experiência nas redes sociais, o que gerou acolhimento e troca de relatos com outras mulheres em situação semelhante. A médica também lidou com as mudanças na aparência, como a queda de cabelos e cílios. Antes de iniciar a perda capilar, ela cortou os cabelos curtos para se adaptar. Para manter a autoestima, fez um curso de automaquiagem.
A cirurgiã vascular enfatiza que o receio das mudanças físicas não deve ser um obstáculo para o tratamento. Ela destaca os avanços da medicina e a importância de manter a esperança. A médica reforça que a geração atual tem grandes chances de sobreviver à doença, devido à variedade de tratamentos e altas taxas de cura. Além disso, a saúde mental foi um ponto importante, com a religião ajudando a encontrar forças.
Câncer de mama: prevalência e detecção precoce
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres globalmente, representando 11,6% dos casos de câncer. Em 2022, foram estimados 2,3 milhões de novos casos em mulheres, excluindo tumores de pele não melanoma. No Brasil, o Inca estima 78.610 novos casos anuais para o triênio 2026-2028.
A mastologista Isabela Garcia Spironeli, associada da AML, destaca que a detecção precoce é crucial para o prognóstico. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Para mulheres de alto risco, o rastreamento deve ser individualizado. A especialista reforça que a mamografia é segura e eficaz, alertando contra a desinformação. Fatores como obesidade, sedentarismo e consumo de álcool podem ser modificados. Mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 estão associadas a 5% a 10% dos casos.
Apesar de ser mais frequente em mulheres, o câncer de mama também afeta homens, correspondendo a cerca de 1% dos casos. Neles, o diagnóstico ocorre geralmente por volta dos 60 anos, muitas vezes em estágios avançados, devido à falta de informação. O rastreamento também discute a ampliação da cobertura do exame sem limite etário rígido, considerando o número de mortes entre mulheres idosas no Brasil, que somou 93.852 óbitos entre 2015 e 2024.
Independentemente da idade, a presença de nódulo persistente, secreção sanguinolenta no mamilo, retração da pele ou mamilo, e alterações no formato da mama exigem investigação diagnóstica imediata.







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