Um antigo personagem de Chico Anysio repetia esse bordão: “Eu sou, mas quem não é?”. Hoje ele cabe na boca de Daniel Vorcaro. Seu modus operandi era expor todos que ele conseguia envolver. Dos mais altos escalões.

Nas conversas com a namorada, fazia questão de dizer “estou com este, estou com aquele”, “tenho uma reunião com Fulano”. Nas festas que promovia, de todos os calibres, mais ou menos públicas, usava dispositivos que filmavam e fotografavam. “De nudes a sexo explícito, celulares de Vorcaro têm cerca de cinco mil itens”, gritam manchetes da imprensa. O que lembra as especulações de anos atrás, quando circularam informes de que Putin tinha gravado Trump em festinhas num hotel de Moscou.

Ao expor pessoas importantes em situações delicadas, que na ocasião pareciam generosos favores de toda espécie, Vorcaro tinha em mente não cair sozinho. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde teria que se haver com a Justiça. E com a opinião pública. E então por meio dessas mensagens e imagens poderia alegar: “que moral têm essas pessoas para me julgar?”. E mais: “se se envolveram comigo, são suspeitas para me julgar”. O caminho para anular seu processo já estava pavimentado antes de ser preso.