A Embraer, uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo, vive um período de grande destaque, com sua carteira de pedidos atingindo um recorde de US$ 34,5 bilhões no final de julho. Em 2021, a empresa entregou 141 aeronaves e espera alcançar cerca de 255 neste ano, demonstrando um crescimento notável em suas operações.
Desde o início de 2021, as ações da Embraer valorizaram aproximadamente dez vezes, superando o desempenho de grandes concorrentes como Airbus e Boeing no mesmo período. Esse sucesso posiciona a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo em um patamar elevado, apesar de seu tamanho ser uma fração das duas líderes do setor.
Fatores impulsionam o sucesso da Embraer
Parte do êxito da Embraer é atribuída a fatores externos favoráveis. Com Airbus e Boeing enfrentando gargalos de produção desde a pandemia e uma carteira conjunta de cerca de 16 mil jatos comerciais, a espera por um narrow-body dessas empresas pode chegar a oito ou dez anos. Nesse cenário, o modelo E2 da Embraer, com entrega em menos de dois anos, tornou-se uma alternativa muito atraente. Além disso, a crescente tendência de voos diretos entre aeroportos menores, em detrimento dos grandes hubs, beneficia aeronaves do porte da Embraer.
O aumento dos jatos executivos no período pós-pandemia também contribuiu significativamente, já que a Embraer domina os segmentos pequeno e médio, com o Phenom 300 sendo o mais vendido em sua categoria há mais de uma década. Os gastos globais com defesa impulsionam as encomendas do cargueiro militar KC-390, e a aposta na EVE, o braço de "carros voadores" (eVTOLs), complementa o quadro de sucesso da empresa.
O dilema estratégico e a complexidade industrial
Apesar do momento favorável, a Embraer enfrenta uma decisão estratégica crucial. A empresa domina o nicho de jatos regionais, onde o A220 da Airbus é o único concorrente direto de porte similar, em um mercado estimado em milhares de aeronaves para as próximas duas décadas. Contudo, há quem vislumbre a possibilidade de expandir para jatos maiores e desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
A entrada no mercado de aviões de corredor único seria uma empreitada de proporções gigantescas, estimada em cerca de US$ 10 bilhões para desenvolver um novo jato. A canadense Bombardier tentou algo semelhante e quase faliu, vendendo seu programa à Airbus. A Embraer, no entanto, é um exemplo da capacidade brasileira de acumular conhecimento e complexidade industrial, tendo certificado quase 20 novas aeronaves em cerca de duas décadas. Sua história demonstra como o investimento público inicial na formação de engenheiros e pesquisa, por meio de instituições como o ITA, foi fundamental para o sucesso que o setor privado colhe hoje.







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