O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem agendado para esta segunda-feira (21) seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A pauta do pronunciamento, embora focada em questões globais, também incluirá mensagens sobre o cenário eleitoral do Brasil.

Fontes próximas ao presidente indicam que ele enfatizará a soberania nacional e condenará tentativas de interferência externa nas eleições brasileiras. A expectativa é que a fala seja articulada de forma “polida, mas firme”, sem mencionar nações ou figuras específicas, mas abordando a preocupação com uma possível influência norte-americana em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário na disputa.

Preocupações com a eleição brasileira

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não ter se pronunciado publicamente sobre as eleições no Brasil, relatos apontam para movimentos de sua administração que foram interpretados pela campanha de Lula como indícios de preferência por Flávio Bolsonaro. Entre esses movimentos, estariam tentativas de enviar representantes do Departamento de Estado para discutir as eleições brasileiras com o filho de Bolsonaro, além de declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra Lula.

Lula interromperá sua campanha por 48 horas para cumprir a agenda da ONU. Após sua participação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também discursará.

Relação entre Lula e Trump

Apesar da apreensão com uma potencial intervenção, aliados de Lula acreditam que a relação já estabelecida entre os dois presidentes pode mitigar ações mais diretas. O primeiro contato, em 2025, foi uma breve conversa nos corredores da ONU.

Neste ano, não houve negociação para um encontro formal entre os líderes. Contudo, o Palácio do Planalto considera a possibilidade de um breve diálogo espontâneo, como ocorreu anteriormente. Avalia-se que a relação direta entre Lula e Trump, marcada por três encontros presenciais e quatro telefonemas desde setembro de 2025, tornaria natural uma breve conversa caso se cruzem novamente em Nova York.

O presidente brasileiro chegou a Nova York no domingo e tem retorno previsto para terça-feira. A agenda desta segunda-feira inclui alguns encontros bilaterais, como o com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, conhecido por ser um dos críticos da administração Trump.