Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar após condenação a 27 anos de reclusão pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito da trama golpista, enviou uma carta neste sábado (11) pedindo que aliados deixem as diferenças de lado. No documento, o ex-mandatário também designou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu porta-voz oficial. A carta foi apresentada publicamente por Flávio durante uma transmissão ao vivo no mesmo dia, contudo, Bolsonaro não fez qualquer menção ao recente desentendimento entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O ex-presidente expressou na missiva seu desejo de contato com o povo, a quem deve lealdade, e enfatizou a importância de união em um "momento de decisão para o futuro de todos nós". Ele escreveu: “O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças”. Bolsonaro ainda reforçou seu apoio à pré-candidatura do filho ao Palácio do Planalto, declarando: “Meu pré-candidato, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.”

Flávio Bolsonaro agradece e defende a nomeação

Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro agradeceu a manifestação do pai e explicou que a indicação visa evitar mensagens conflitantes dentro do grupo bolsonarista. O senador mencionou que “muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua para resgatar o Brasil”. Ele ressaltou a importância da nomeação para "evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que porventura alguém possa estar seguindo”.

Crise entre Flávio e Michelle

A carta surge em um momento de tensões internas, especialmente após Michelle Bolsonaro acusar o senador nas redes sociais de tê-la maltratado e humilhado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, respondeu publicamente com um pedido de desculpas. Em meio a esta crise, a ex-primeira-dama deixou a presidência nacional do PL Mulher, em reunião com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido.

Valdemar Costa Neto confirmou que Flávio e Michelle pararam de conversar após o embate nas redes sociais. O dirigente partidário defendeu a importância de uma reconciliação antes da convenção do partido. “Michelle é uma pessoa especial. Ela tem talento, é uma grande líder, e nós precisamos dela com a gente. Nós não podemos sair brigando dentro de casa. Temos que acertar isso aí em 20 dias pra gente tomar um rumo”, afirmou Costa Neto.

O presidente do PL pretende trabalhar para reaproximar os dois até a convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho, em São Paulo, onde se espera a oficialização de Flávio Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto.