Na Roma antiga, a República, alvo de conspirações, viu-se às voltas com um inimigo imortalizado pelas denúncias de um político famoso: Cícero. Eternizado por sua capacidade oratória, não perdoou o bandido. Denunciou-o através de discursos que ficaram conhecidos como “as catilinárias”. O inimigo do regime tinha tudo para dar um golpe de Estado e promover o autoritarismo.
Não foi uma situação única na história. Vivemos atualmente no Brasil algo semelhante, só que com as faces do bolsonarismo e de seus cúmplices, com ramificações nos Estados Unidos. O ministro André Mendonça assumiu o papel como um deles, despertando a lembrança do orador romano. É o nosso Catilina. “Até quando abusarás da nossa paciência?”. Como o seu antecessor, ficou mal na pele, desta vez graças a uma plenária do STF, quando se tornou o centro da execração pública. E a tarefa não se concentrou somente em Gilmar Mendes, que arrasou com o sujeito. Outros, incluindo Dino e Moraes (para não falar em Zanin), concluíram a iniciativa, atirando a última pá de cal no quase moribundo.
Depois do ocorrido, restam poucas dúvidas a respeito do caráter do dito-cujo ou de suas tramoias subterrâneas. Pouco importa se Cármen Lúcia ficou em cima do muro e, com seu voto, evitou se comprometer. Menos ainda importa o Fux, já há tempos associado à causa do Jair. Ou a abstenção do Nunes Marques. Também não se mostram relevantes os moralistas que acusam o tribunal de haver lavado a roupa suja em público. Tratava-se de uma questão de respeito por si mesmos que os magistrados realizassem aquele balanço.
Transformado em “Pixuleco” nas manifestações do dia 1º em São Paulo, o terrivelmente conspirador terá muito a explicar. Tramas golpistas, em outras épocas, implicavam bases nos quartéis. Com Dilma Rousseff, houve anuência parlamentar. Agora, para tanto, pretende-se uma implosão jurídica via Supremo. Não conseguirão. O país se cansou de tais anomalias. O bom senso julgará Alexandre de Moraes. E, enquanto isso, que vença o melhor, Luiz Inácio Lula da Silva, que dispõe de programa, biografia e dignidade comprovada. As mãos sujas estão do outro lado. Saberemos preservar a nossa soberania, inclusive das interferências externas — diga-se Trump. Espiões e traidores irão para o lixo da história.






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