O programa Desenrola 2.0 alcançou a marca de R$ 44,7 bilhões em dívidas negociadas em menos de três meses de operação. Lançado em maio deste ano, a iniciativa do governo federal busca combater o endividamento de famílias e empresas, apresentando um ritmo significativamente mais rápido em comparação com a edição anterior.
O volume negociado na nova fase já corresponde a 84% dos R$ 53 bilhões movimentados durante os dez meses da primeira edição, que ocorreu entre julho de 2023 e maio de 2024. A versão atual expandiu seu alcance, incluindo renegociações para pessoas jurídicas, além de manter o foco em pessoas físicas. Para estas últimas, o programa já soma R$ 20,9 bilhões em dívidas renegociadas, que foram reduzidas a um saldo final de R$ 3,7 bilhões. Somente para pessoas físicas, o valor transacionado equivale a 40% do total negociado na edição anterior para o mesmo público.
Negociação para Pessoas Jurídicas e Uso do FGTS
A modalidade Desenrola Empresas foi responsável por R$ 23,2 bilhões do montante total. Por meio dela, companhias podem quitar operações de crédito ativas com a mesma instituição financeira, abrangendo programas como o Pronampe (para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões) e o Procred 360 (para empreendimentos com faturamento anual de até R$ 360 mil). Os recursos obtidos podem ser utilizados para quitar total ou parcialmente outros contratos bancários da empresa.
Uma das inovações do Desenrola 2.0 é a permissão para utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na quitação de débitos. No entanto, o uso do FGTS somou apenas R$ 55,5 milhões até o momento, o que representa 0,68% do limite de R$ 8,2 bilhões anunciado pelo governo. Cerca de 97 mil trabalhadores optaram por essa via para liquidar suas dívidas.
Contexto de Endividamento e Mudanças nas Regras
O avanço do programa ocorre em um cenário de alto endividamento no país. Em maio, a inadimplência bancária atingiu um recorde, com a taxa média de atrasos superiores a 90 dias chegando a 4,7% para pessoas físicas e jurídicas. Para operações de pessoas físicas na modalidade de crédito com recursos livres, como cartão de crédito e cheque especial, o índice de inadimplência alcançou 7,6%, o maior percentual histórico. Além disso, o endividamento das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, afetando mais de 80 milhões de brasileiros.
Para ampliar o acesso aos benefícios, o Desenrola 2.0 adotou critérios menos restritivos. Consumidores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) agora podem renegociar pendências no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. Especialistas apontam que a maior adesão na nova fase reflete o conhecimento prévio da população sobre o programa, o que facilita o acesso, mesmo com o problema do endividamento ainda persistente. As renegociações pela atual edição do Desenrola Brasil estão programadas para continuar até agosto.







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