247 – O contraventor Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa serão levados a júri popular pelo assassinato de Fernando de Miranda Iggnaccio, morto a tiros em 2020, no Rio de Janeiro. A Justiça considerou haver indícios suficientes de autoria e materialidade para submeter os dois réus ao Tribunal do Júri.

Segundo a CNN Brasil, a decisão foi proferida pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital e também manteve a prisão preventiva dos acusados, que permanecerão detidos até o julgamento.

De acordo com as investigações, Rogério de Andrade é apontado como o mandante do homicídio. A acusação sustenta que o crime teria sido motivado por uma disputa pelo controle de pontos do jogo do bicho e de outras atividades ilegais no Rio de Janeiro.

Gilmar Eneas Lisboa, por sua vez, é acusado de ter monitorado a rotina de Fernando Iggnaccio em Angra dos Reis antes do atentado. Segundo o Ministério Público, ele acompanhava os deslocamentos da vítima e enviava fotos, vídeos e mensagens sobre seus passos.

A denúncia afirma que Rogério de Andrade integrava e liderava uma organização criminosa que atuava, ao menos desde 2018, na exploração do jogo ilegal, lavagem de dinheiro e tomada violenta de territórios no Rio de Janeiro e em outros estados.

Para ampliar o domínio sobre pontos de jogo do bicho, caça-níqueis e videopôquer atribuídos a Iggnaccio, Rogério teria dado a ordem para o assassinato ao braço-direito Márcio Araújo de Souza, conhecido como “Araújo”.

De acordo com a denúncia, a comunicação teria ocorrido por meio de um aplicativo criptografado. Em uma das mensagens, foi escrita a frase: “O cabeludo é o que interessa”, seguida da resposta “Perfeitamente”.

Gilmar Enéas Lisboa teria começado a monitorar a residência e a rotina da vítima em Angra dos Reis em 16 de março de 2020, sob ordens de Márcio Araújo. A acusação afirma que o material produzido serviu para preparar o momento do ataque.

Fernando Iggnaccio foi morto no dia 10 de novembro de 2020, depois de desembarcar de um helicóptero no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio.

Ele havia chegado de Angra dos Reis por volta das 13h15. Após a aeronave pousar no heliponto da empresa Heli-Rio, na Avenida das Américas, Iggnaccio caminhava em direção a um carro quando foi atingido por disparos de fuzil.

O Ministério Público denunciou Rogério de Andrade e Gilmar Enéas Lisboa por homicídio quadruplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e perigo comum, recurso que teria dificultado a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. A acusação também inclui causa de aumento relacionada à prática do crime por grupo de extermínio.

Com a decisão de pronúncia, caberá agora ao Tribunal do Júri analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade dos acusados. O conselho de sentença será formado por sete jurados sorteados.

A disputa que está no centro do caso remonta à sucessão do contraventor Castor de Andrade, morto em 1997. Rogério é sobrinho de Castor, enquanto Fernando Iggnaccio era genro do antigo chefe do jogo do bicho.

Após a morte de Castor, diferentes grupos passaram a disputar o controle das atividades ilegais associadas ao chamado império da contravenção. Ainda em vida, Castor havia escolhido Rogério para comandar áreas da zona oeste do Rio e outros territórios.

O filho de Castor, Paulo Roberto de Andrade, conhecido como Paulinho, contestou essa sucessão. Em 1998, ele e um segurança foram assassinados na Barra da Tijuca. Depois disso, Fernando Iggnaccio assumiu posição central na disputa com Rogério.

A acusação sustenta que a rivalidade entre os dois se prolongou por anos e desembocou no assassinato de Iggnaccio em 2020.

A CNN Brasil informou que tenta contato com as defesas de Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa. O espaço permanece aberto para manifestação.