Em uma análise que transita entre a ciência e a política, o debate sobre 'como' e 'por que' questiona fenômenos tão diversos quanto a gravidade e as motivações de certas candidaturas eleitorais. A complexidade do 'por que' transcende a explicação científica do 'como', levantando questões profundas sobre as intenções por trás das ações, especialmente no contexto das próximas eleições.

O físico Marcelo Gleiser, ao discutir a lei da gravidade de Newton, ilustra a distinção entre descrever 'como' os planetas orbitam o Sol e explicar 'por que' essa força existe. Enquanto a ciência oferece respostas precisas para o 'como', o 'por que' permanece em aberto, um convite à reflexão que se estende para outros domínios da vida.

A política do 'por que'

No cenário político brasileiro, com as eleições de 2026 se aproximando, a pergunta 'por que' ganha contornos urgentes ao observar a ascensão de narrativas extremistas. Questiona-se por que a 'maldade explícita' se torna parte da plataforma de certos candidatos de extrema direita, especialmente aqueles que, contraditoriamente, pregam o combate ao crime organizado enquanto mantêm ligações com grupos criminosos. Essas candidaturas, muitas vezes, utilizam tais discursos como cortina de fumaça para enganar o eleitorado, desviando a atenção de suas verdadeiras intenções ou condutas.

A preocupação reside em como evitar que o eleitor seja seduzido por propostas vazias e vote em candidatos que, em vez de defenderem a democracia, a ameaçam. É crucial analisar as propostas de cada um, sem a crença em 'salvadores da pátria', mas sim no coletivo de indivíduos que valorizam os princípios democráticos. Entregar as eleições a esses 'entreguistas' seria um passo perigoso, com o risco iminente de um golpe de Estado, um cenário já vivenciado em tempos recentes.

Lições do passado para o futuro

A reflexão se aprofunda com uma memória dos anos 90, quando a exploração predatória do granito verde em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, já era um problema ambiental sério. A tentativa de explicar essa degradação através da Teoria dos Fractais — uma 'estrutura geométrica complexa cujas propriedades, em geral, repetem-se em qualquer escala' — demonstra a busca por compreender padrões de deterioração que se repetem, assim como certas dinâmicas políticas. A persistência da inação do poder público em relação a problemas ambientais, apesar do conhecimento e da denúncia, ecoa a inação frente a ameaças democráticas.

Diante de um cenário em que 'antipatriotas e golpistas' buscam manipular a vontade popular, a citação de um amigo sobre a perda de fé e a frase do escritor José Saramago, 'o mais difícil é fazer as perguntas, porque as respostas estão no mundo', reforçam a necessidade de questionamento constante. A esperança reside na prevalência das forças democráticas e progressistas nas eleições de 2026, garantindo um futuro mais justo e seguro para o país.