O presidente da Argentina, Javier Milei, foi recebido na manhã deste sábado (25) em São Paulo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes, onde recebeu a Medalha de Ordem do Ipiranga, a maior honraria concedida pelo estado. A cerimônia, que ocorreu no Salão dos Pratos, foi precedida por um encontro reservado entre os dois líderes na ala residencial do palácio. Para a recepção, um tapete azul foi estendido, remetendo à expressão “onda azul”, usada por Milei para designar a ascensão de políticos de direita na América do Sul.
Após o evento no Palácio dos Bandeirantes, Milei e Tarcísio seguiram para a convenção nacional do Partido Liberal (PL) no Estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo. O encontro tinha como objetivo selar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o próprio Flávio Bolsonaro também estiveram presentes nas agendas, ao lado de outras figuras políticas.
Tensões políticas e impopularidade
A visita de Javier Milei ao Brasil é vista como um sinal de apoio à extrema-direita brasileira e pode intensificar as tensões diplomáticas com o governo federal. A presença do presidente argentino ocorre em um momento de crescente impopularidade em seu país, resultado das consequências sociais e econômicas de suas políticas ultraliberais.
Pesquisas indicam que a desaprovação de Milei ultrapassou os 60% em alguns levantamentos, com sua imagem positiva caindo para cerca de um terço do eleitorado. Essa queda reflete a insatisfação popular com a perda do poder de compra, o aumento do desemprego e a precarização do trabalho. Apesar da desaceleração da inflação mensal, a inflação acumulada na Argentina atingiu 16,8% no primeiro semestre de 2026 e 33,5% nos últimos 12 meses, evidenciando o alto custo das medidas econômicas adotadas.
A política de forte contração econômica implementada pelo governo Milei impactou diretamente salários, aposentadorias e serviços públicos. Enquanto alguns setores com baixa geração de empregos foram beneficiados, áreas cruciais como construção civil, comércio e pequenas empresas enfrentam sérias dificuldades. O ajuste fiscal radical, que incluiu cortes em aposentadorias, universidades e investimentos públicos, resultou no aumento do desemprego, da informalidade e no endividamento das famílias para cobrir despesas básicas.
Mesmo com estatísticas oficiais apontando uma redução na pobreza, grande parte da população argentina ainda não percebeu melhorias significativas em suas condições de vida. O consumo de alimentos básicos permanece sob pressão, e os salários perderam valor real. Análises de 2026 mostraram que 91% das famílias argentinas tinham algum tipo de dívida e que o salário mínimo sofreu uma severa desvalorização durante a gestão Milei, resultando em uma economia que, embora celebre indicadores financeiros, gera insegurança e empobrecimento para amplos setores da sociedade.







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