A decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar a votação até as 19h criou uma situação sem precedentes nas eleições brasileiras, conforme avaliação do cientista político Jorge Mizael. A extensão ocorreu quando a apuração já havia começado em parte do país e urnas estavam fechadas em outros locais.
A prorrogação foi motivada por questões de mobilidade urbana, incluindo redução da frota de ônibus em Salvador e São Paulo, além das chuvas que afetaram o Rio Grande do Sul. Campanhas solicitaram ao Supremo Tribunal Federal a ampliação do horário para que mais eleitores pudessem votar.
Durante entrevista ao CB Poder Eleições neste domingo, Mizael criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela demora em se posicionar. De acordo com o cientista político, a primeira solicitação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta das 13h, mas o tribunal não tomou decisão a tempo, antes do encerramento previsto às 17h.
Desafios jurídicos e de confiança
Mizael caracterizou a situação como inédita pela complexidade de sua execução. Com as urnas já fechadas em diversos locais e a apuração em andamento, operacionalizar a extensão criou desafios jurídicos e logísticos para as equipes responsáveis pela votação e transmissão de dados.
O cientista político alertou para riscos à confiança no resultado eleitoral. Na sua avaliação, a intervenção judicial abre espaço para questionamentos de ambos os lados da disputa, independentemente de quem vencer, o que poderia comprometer a legitimidade do resultado apurado.
Por outro lado, Mizael reconheceu que a ampliação do horário ofereceu nova oportunidade para eleitores que deixaram de votar durante o dia por dificuldades de transporte. Ressaltou, porém, que os próximos posicionamentos da Justiça Eleitoral precisam ser acompanhados para avaliar os efeitos dessa medida no resultado final.
Confira a entrevista completa no CB Poder Eleições.







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