247 – Dezenas de apoiadores do chavismo e funcionários públicos ocuparam ruas de Caracas nesta quinta-feira (17) para protestar contra o acordo relacionado à exploração do petróleo venezuelano e à participação dos Estados Unidos no setor. Manifestantes também reivindicaram melhores salários. O entendimento envolve 17 campos de petróleo, segundo informações divulgadas pela Casa Branca. O relato foi divulgado pela agência EFE, citada pela teleSUR.
Depois que forças estadunidenses fizeram o sequestro de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano, sob polêmicas alegações de narcotráfico, os governos dos presidentes Donald Trump (EUA) e Delcy Rodríguez (Venezuela) avançaram em uma proposta que alcança mais de 20% das reservas venezuelanas de petróleo e prevê vigência de 25 anos. O projeto abrange 17 campos e mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas.
Movimentos como Patria Para Todos (PPT), Partido Socialismo y Libertad (PSL), Partido Comunista de Venezuela (PCV) e outras organizações convocaram a mobilização contra o acordo. Os participantes se concentraram na Universidade Central da Venezuela e nos arredores da Plaza Venezuela, na região central da capital.
Além da pauta energética, trabalhadores utilizaram a manifestação para cobrar aumento de renda em um cenário no qual o salário-base mensal permanece em 130 bolívares, cerca de US$ 0,15 pela taxa oficial mencionada pela EFE.
Lideranças de movimentos populares na América Latina, a política intervencionista dos EUA em países da região aumentou no governo do presidente Donald Trump, que tomou posse em 20 de janeiro do ano passado.
Acordo alcança 17 campos de petróleo
Autoridades da Venezuela e dos EUA anunciaram o entendimento petrolífero no fim de agosto. A presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, informou que o projeto busca superar a produção de 1,5 milhão de barris por dia.
Segundo Rodríguez, uma cotação de US$ 65 por barril poderia gerar US$ 209,335 bilhões para o país ao longo do período previsto no acordo. A expectativa de aumento da produção ocorre enquanto Caracas procura atrair novos investimentos para recuperar a capacidade de extração e processamento de petróleo.
A Casa Branca apresenta uma descrição distinta sobre a estrutura jurídica do negócio. O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o contrato envolve uma empresa privada e não constitui um acordo direto com o governo interino venezuelano.
A Casa Branca sustenta que a North American Blue Energy Partners, a NABEP, assumirá operações ligadas aos campos incluídos no negócio.
A Casa Branca concedeu à NABEP direitos por um período de 100 anos para explorar petróleo no país. A EFE identifica a empresa como ligada ao empresário venezuelano Alejandro Betancourt.
Protestos associam petróleo e condições de trabalho
Os grupos que participaram da manifestação relacionaram o debate sobre as reservas naturais às condições de vida dos trabalhadores.
Representantes sindicais defenderam o controle venezuelano sobre os recursos e questionaram a presença dos EUA na exploração do petróleo.
Os integrantes das manifestações defenderam questões de soberania, controle dos recursos naturais e direitos salariais e trabalhistas.
Confira abaixo o ranking global das reservas de petróleo de 2025 divulgado no Annual Statistical Bulletin 2025 da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep):
1º lugar — Venezuela: 303,221 bilhões de barris
2º lugar — Arábia Saudita: 267,2 bilhões de barris
3º lugar — Canadá: 163,44 bilhões de barris
4º lugar — Irã: 208,6 bilhões de barris
5º lugar — Iraque: 145,019 bilhões de barris
6º lugar — Kuwait: 101,5 bilhões de barris
7º lugar — Emirados Árabes Unidos: 113 bilhões de barris
8º lugar — Rússia: 80 bilhões de barris
9º lugar — Líbia: 48,363 bilhões de barris
10º lugar — Estados Unidos: 45,014 bilhões de barris






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