247 – O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou o agravamento das sanções dos Estados Unidos contra a ilha durante encontros diplomáticos em Nova York, no contexto da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a agência Prensa Latina, o chanceler discutiu as restrições econômicas com representantes de países africanos e defendeu, em reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), os mecanismos de integração regional.
A agenda incluiu reuniões com os ministros das Relações Exteriores da Zâmbia, Mulambo Haimbe; de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa; e da República Árabe Saaraui Democrática, Mohamed Yeslem Beissat. Ao relatar os encontros, Rodríguez afirmou: “destacamos o excelente estado das relações bilaterais com esses países africanos, com os quais compartilhamos laços históricos e de cooperação”.
Em publicação na rede social X, o diplomata informou que apresentou aos interlocutores as denúncias de Havana sobre o endurecimento da política de Washington. Segundo ele, as medidas incluem um embargo energético e sanções secundárias, que classificou como instrumentos de estrangulamento econômico e punição coletiva contra a população cubana.
As restrições também foram discutidas com o secretário-geral ibero-americano, Andrés Allamand. Nesse encontro, Rodríguez atribuiu as dificuldades enfrentadas por Cuba à intensificação do bloqueio dos Estados Unidos e mencionou, além das medidas econômicas e energéticas, o que descreveu como uma ameaça constante de agressão militar.
A preparação da próxima Cúpula Ibero-Americana foi outro assunto da conversa. O chanceler transmitiu a confiança de Havana “de que a próxima Cúpula Ibero-Americana se desenvolverá como um espaço inclusivo, levando em consideração os interesses de todos e as posições consensuais históricas e o legado da Comunidade”.
Na reunião ministerial da Celac, realizada na segunda-feira (21), Rodríguez ampliou suas críticas à atuação dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe. Em seu discurso, afirmou que a região enfrenta uma ofensiva destinada a impor a Doutrina Monroe, acompanhada de novos desdobramentos que considerou inaceitáveis.
O ministro advertiu que “estão sendo promovidas iniciativas numa tentativa de nos dividir” e relacionou essas ações a tentativas de reduzir a capacidade de articulação entre os países latino-americanos e caribenhos.
“Estão sendo feitos esforços para enfraquecer os mecanismos de coordenação e integração que construímos com tanto empenho”, declarou o chefe da delegação cubana.
Diante desse cenário, Rodríguez destacou a preservação dos compromissos regionais com a paz. Segundo ele, “defender a Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz é uma prioridade”.
A agenda do chanceler em Nova York também incluiu, no sábado, a participação no Encontro Nacional de Cubanos Residentes nos Estados Unidos. Na ocasião, ele abordou as iniciativas de aproximação entre Cuba e sua comunidade no exterior, com foco na ampliação dos vínculos e da participação na vida nacional.
Rodríguez afirmou que esse trabalho envolve os “compatriotas que residem ou permanecem por um longo período fora de Cuba, e de seus descendentes”. Ao tratar das relações com Washington, voltou a denunciar o impacto das restrições sobre as famílias cubanas e reiterou sua avaliação de que a política dos Estados Unidos impõe uma punição coletiva à população da ilha.






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