Neste domingo (20), em Nova York, o Catar cobrou respeito à soberania regional e alertou sobre as consequências de uma possível guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores catariano, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, afirmou que tal conflito ameaça o abastecimento de energia, as rotas de navegação e os investimentos em escala global. As declarações foram feitas durante um evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, organizado pelo Fórum Econômico do Catar.
Mohammed comparou os efeitos econômicos do confronto a um “terremoto”, cujas “ondas de choque” já transbordaram as fronteiras do Oriente Médio, abalando concepções estabelecidas sobre segurança e estabilidade internacionais. O premiê enfatizou a necessidade de uma estrutura regional onde a soberania seja respeitada e onde nenhum país represente uma ameaça a outro, alertando para o perigo de “ciclos de escalada” sucessivos na região.
Preocupações econômicas e a resiliência do Catar
O chefe do governo catariano relatou que, durante a crise, as preocupações de autoridades e investidores rapidamente transitaram da segurança para os potenciais impactos econômicos do conflito. Ele destacou que o Catar conseguiu suportar o choque inicial, testando os “alicerces” econômicos e de segurança do país. No entanto, reconheceu que a persistência do confronto afeta toda a região, afirmando que “a segurança permanente não pode ser construída por meio de acordos que deixem qualquer Estado permanentemente exposto à insegurança”.
Em meio a essas incertezas, Mohammed anunciou uma mudança na estratégia de investimentos domésticos do Catar. O governo planeja destinar mais de US$ 38 bilhões para a infraestrutura nacional nos próximos cinco anos. Este programa visa atrair capital privado e demonstrar a capacidade de resiliência da economia catariana, enquanto Doha tenta mitigar os efeitos regionais do conflito sobre investimentos, logística e segurança energética.
Diplomacia e busca por soluções
A situação no Oriente Médio e suas repercussões internacionais devem ser temas centrais nos discursos e negociações diplomáticas durante a Assembleia Geral da ONU. O Catar, por sua vez, mantém esforços para promover a retomada das negociações entre Teerã e Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano, Majed Al-Ansari, informou que o governo continua atuando como mediador para tentar viabilizar conversações destinadas a encerrar o conflito.







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