247 – O cansaço com a polarização política cresceu entre os eleitores brasileiros e passou de 36% para 43% em menos de um mês, enquanto 71% afirmam que a disputa presidencial de 2026 é impactada por esse ambiente. Os dados fazem parte da 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira (8).

Segundo a Nexus, o percentual dos entrevistados que concordam com a existência de polarização e dizem estar “cansados/desconfortáveis” avançou sete pontos desde 10 de agosto. Na rodada anterior usada para comparação, esse grupo representava 36% da amostra, e 65% reconheciam impacto da polarização na eleição. Agora, esse último indicador chega a 71%.

Ao mesmo tempo, caiu a parcela que discorda da afirmação de que a eleição está sendo impactada pela polarização: de 24% em agosto para 21% em setembro. Entre os que reconhecem a polarização, 15% dizem estar confortáveis com ela, ante 17% anteriormente, enquanto 13% se declaram indiferentes, contra 12% na medição anterior. A parcela que não soube ou não respondeu caiu de 11% para 9%.

O levantamento perguntou inicialmente aos entrevistados se concordavam com a afirmação de que “a eleição de 2026 está sendo impactada pela polarização política da população”. Aos que concordaram, a pesquisa questionou se estavam confortáveis, indiferentes ou cansados e desconfortáveis diante desse cenário.

Cansaço atravessa diferentes campos eleitorais

O sentimento de desconforto não está concentrado em apenas um segmento do eleitorado. Entre os eleitores de Lula no cenário estimulado de primeiro turno, 34% dizem estar cansados ou desconfortáveis com a polarização. Outros 18% se dizem confortáveis e 17% indiferentes, enquanto 22% discordam que a polarização esteja impactando a eleição.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 42% declaram cansaço ou desconforto. Nesse grupo, 16% afirmam estar confortáveis e 11% indiferentes, enquanto 24% discordam da existência de impacto da polarização sobre a disputa presidencial.

O índice de cansaço aparece mais elevado entre apoiadores de alguns candidatos fora dos dois principais polos. Entre eleitores de Renan Santos, 67% se dizem cansados ou desconfortáveis; entre os de Augusto Cury, são 66%. O percentual é de 52% entre eleitores de Ronaldo Caiado e 48% entre os de Zema. Entre os eleitores de outros candidatos, chega a 72%.

A mesma tendência aparece quando a Nexus cruza o sentimento em relação à polarização com os grupos políticos construídos pelo próprio instituto. Entre os entrevistados classificados como “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”, 54% dizem estar cansados ou desconfortáveis. Entre os chamados “não polarizados”, são 45%.

Entre aqueles classificados pela pesquisa como “Bolsonaro como alternativa”, o índice de cansaço chega a 57%; entre os que têm “Lula como alternativa”, alcança 52%. O percentual é de 40% entre “bolsonaristas convictos” e de 39% entre “lulistas convictos”.

Eleitores cansados se dividem no 1º turno

O cruzamento entre sentimento sobre a polarização e intenção de voto também mostra como se distribui esse grupo na corrida presidencial. Entre os entrevistados que dizem estar cansados ou desconfortáveis, Lula registra 32% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 35%. Augusto Cury aparece com 14%, Renan Santos com 7%, Ronaldo Caiado com 5% e Zema com 2%.

Entre os que reconhecem a polarização, mas se declaram confortáveis ou indiferentes a ela, Lula registra 48% e Flávio, 33%. Já entre aqueles que discordam que a polarização esteja impactando a disputa, Lula aparece com 42% e Flávio Bolsonaro com 40%.

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Flávio registra 51% entre os eleitores cansados ou desconfortáveis com a polarização, e Lula, 37%. Entre os que reconhecem a polarização, mas estão confortáveis ou indiferentes, Lula tem 53% e Flávio, 41%.

A 13ª rodada do BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06790/2026. A divulgação estava prevista para 8 de setembro no registro da pesquisa.