Nesta sexta-feira (10), Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD, reagiu à notícia de que a federação União Progressista não deve apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Em uma publicação nas redes sociais, Caiado fez uma ironia sobre a situação da campanha do senador, afirmando: “O barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora!”

De acordo com informações de bastidores, dirigentes da federação indicam que a tendência é não oficializar um apoio nacional a Bolsonaro. Essa decisão implicaria na liberdade para os diretórios estaduais das duas legendas definirem seus próprios apoios em cada estado. A motivação para essa postura é atribuída a uma série de desgastes entre o senador e a liderança da federação, além da pressão de líderes estaduais para que o União Brasil e o PP permaneçam neutros na corrida presidencial.

Desgastes e falta de apoio público

A insatisfação do PP, por exemplo, teria começado após o presidente do partido, senador Ciro Nogueira, ser alvo de uma investigação da Polícia Federal ligada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Membros do PP esperavam uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em defesa de Nogueira, o que não ocorreu. Antes desse episódio, havia até a consideração de Ciro Nogueira integrar uma chapa com Flávio Bolsonaro como vice-presidente.

Outro ponto de atrito envolveu o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que demonstrou desconforto após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. Canella, aliado de Flávio Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, foi detido após um fuzil ser encontrado em seu veículo. Ele alegou que a arma era de um policial de sua segurança, mas não apresentou provas. Dirigentes do União Brasil também aguardavam um posicionamento público de apoio de Flávio Bolsonaro neste caso, que igualmente não se concretizou.

Pressão pela neutralidade nas eleições

Além desses incidentes, a pressão pela neutralidade na eleição presidencial partiu de dirigentes estaduais da federação. Parlamentares, especialmente do Nordeste, avaliam que um apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro poderia prejudicar suas próprias campanhas em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possui forte apoio eleitoral.

Apesar da provável ausência de apoio nacional, o PP deve permitir que seus diretórios estaduais definam suas posições locais. Em São Paulo, alguns integrantes do partido defendem o apoio a Flávio Bolsonaro, visando fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.