247 – O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quarta-feira (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), também candidato ao Planalto, não tem condições de ser o “pacificador” que, segundo ele, o país precisa diante da situação institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Caiado disputa a Presidência pelo PSD, enquanto Flávio concorre pelo PL e segue no mandato de senador pelo Rio de Janeiro.
Caiado também disse considerar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se omitiu diante das tensões envolvendo o Supremo e deveria ter buscado anteriormente uma saída articulada entre os Poderes. Sobre Flávio, afirmou: “Qual é a condição que ele [Flávio] tem? Se governa pacificando, mas com autoridade moral e você buscando os poderes e construindo uma saída para seu País”.
As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, depois de um almoço com empresários promovido pelo YPO, rede que reúne executivos e CEOs. O candidato a vice-presidente na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, também participou do encontro.
Questionado sobre o filme Dark Horse e as negociações entre Flávio Bolsonaro e o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro para financiar a produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Caiado afirmou acompanhar as investigações e defendeu um padrão mais rigoroso para candidatos ao Palácio do Planalto.
“Para ser presidente da República hoje, o cidadão não tem direito de pedir nem a presunção de inocência. Ele tem que estar acima de qualquer suspeita. Ele tem que ter mãos limpas para poder governar”, declarou.
Flávio confirmou em maio que procurou Vorcaro em busca de patrocínio privado para o filme e negou ter recebido vantagens ou oferecido contrapartidas. Relatórios da Polícia Federal tornados públicos em setembro detalharam mensagens e cobranças relacionadas aos recursos destinados à produção.
Caiado também criticou Lula por não ter adotado, em sua avaliação, uma postura de articulação institucional. “Estamos vendo o Brasil simplesmente caminhar fora de rumo, batendo cabeça por todos os lados. E não vemos uma autoridade para chegar e pedir um pronunciamento em rede de televisão e rádio e fazer um pronunciamento à nação”, afirmou.
Em outra crítica direta ao presidente, Caiado declarou: “Se o presidente não estivesse com as mãos sujas, ele teria que ter feito um pronunciamento à nação. Eu teria chamado todos os membros [dos Poderes] no Palácio do Planalto dizendo que respeito o Supremo. Mas que esse é um problema de governabilidade. Nós não podemos admitir isso”. Segundo o candidato do PSD, a situação envolvendo o STF também compromete a credibilidade do Judiciário.
Durante o encontro com empresários, Caiado afirmou que a situação institucional e a economia concentraram as discussões. “A pauta dominante foi esse momento em que o Brasil vive e se sente totalmente à deriva”, disse.
Na área econômica, o candidato relatou preocupação dos participantes com a taxa básica de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza nesta terça e quarta-feira (15 e 16) sua reunião de setembro.
Caiado reiterou sua defesa de redução do ritmo de expansão das despesas públicas como forma de abrir espaço para juros menores. Entre as propostas mencionadas, defendeu limitar o crescimento dos gastos à metade da expansão da economia registrada no ano anterior e promover cortes nos Poderes depois da aprovação de uma reforma administrativa.






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