247 – O jornalista e analista político norte-americano Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly e observador da política latino-americana há mais de 25 anos, definiu o atual ambiente eleitoral brasileiro com uma expressão: “polarização apática”. Em postagem no X, Winter afirmou perceber uma eleição muito equilibrada, mas marcada por um grau de entusiasmo significativamente menor do que o registrado nas disputas de 2018 e 2022.
“Se eu tivesse que descrever a eleição brasileira em duas palavras, seriam ‘polarização apática’”, escreveu Winter. Para ele, o Brasil continua sendo um país eleitoralmente dividido praticamente ao meio, mas a característica mais evidente da campanha de 2026 seria a falta de entusiasmo dos dois lados.
Segundo o jornalista, essa sensação pode ser percebida em conversas com brasileiros. Winter afirma ser difícil encontrar eleitores realmente entusiasmados em votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou em Flávio Bolsonaro.
Diferença em relação a 2018 e 2022
Na avaliação de Winter, o ambiente é bastante diferente daquele observado nas duas eleições presidenciais anteriores. Em 2018 e 2022, segundo ele, havia entre os brasileiros uma percepção mais intensa de que questões fundamentais estavam em jogo, em razão de fatores como a situação econômica, a pandemia e as disputas em torno da democracia.
Em 2026, Winter descreve um eleitorado com avaliações mais ambivalentes. Em sua interpretação das conversas que vem mantendo no país, há brasileiros que consideram a economia razoável, mas sentem perda de poder de compra dos salários. Em relação a Lula, ele relata avaliações que combinam aprovação moderada com preocupações sobre a idade do presidente. No caso de Flávio Bolsonaro, Winter afirma perceber que controvérsias associadas ao senador convivem com uma percepção, entre alguns eleitores, de um estilo menos agressivo do que o do pai.
Essas são impressões pessoais apresentadas por Winter a partir de sua passagem pelo Brasil e não resultados de uma pesquisa de opinião.
Um ambiente “sem vento”
Winter utiliza outra metáfora para explicar o cenário. Em um ambiente político que considera “sem vento”, qualquer pequena mudança pode parecer relevante.
O jornalista observa que Flávio atravessa um momento de melhora em algumas pesquisas. Winter menciona como uma hipótese os acontecimentos relacionados ao Supremo Tribunal Federal, mas afirma ter ouvido analistas que levantam outras explicações, entre elas o aumento dos preços dos combustíveis associado à guerra com o Irã, pressões inflacionárias e o endividamento das famílias.
O próprio Winter ressalta a dificuldade de atribuir as oscilações eleitorais a uma causa específica.
Para ele, uma das características centrais do atual cenário é justamente a combinação entre uma disputa apertada e um baixo grau de convicção de parte dos eleitores. Essa configuração, em sua análise, aumenta a importância de acontecimentos econômicos e políticos capazes de alterar as percepções do eleitorado nas semanas finais da campanha.
Winter encerrou a publicação reconhecendo o caráter acadêmico da expressão escolhida para resumir sua impressão sobre o Brasil: “‘Polarização apática’ é um pouco acadêmico para mim, mas foi o melhor que consegui”.
Editor-chefe da Americas Quarterly, Winter viveu durante cerca de uma década no Brasil, Argentina e México como jornalista da Reuters. Atualmente também é vice-presidente de políticas públicas da Americas Society/Council of the Americas.






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