247 – A mobilização da militância petista na reta final da campanha pode provocar mudanças no cenário eleitoral antes da votação de 4 de outubro, avaliou o jornalista Breno Altman durante participação no Bom Dia 247. Para ele, existe um fenômeno recorrente nas eleições presidenciais brasileiras que chama de “petismo de chegada”: a intensificação da participação de militantes e simpatizantes do PT quando faltam poucos dias para a abertura das urnas. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado oficialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 4 de outubro.
“Esse petismo de chegada já virou eleições. Esse tsunami final já virou eleições, já desmentiu pesquisas, já alterou a correlação de forças nos dias que antecedem as eleições”, afirmou Altman. Ele ressalvou, ao longo da entrevista, que a disputa segue apertada e tratou essa mobilização como um fator político que, em sua avaliação, não deve ser desconsiderado na leitura das semanas finais da campanha.
Altman definiu o processo como uma mobilização que ocorre paralelamente à concentração do eleitorado de direita. Segundo sua análise, os dois campos tendem a aumentar o grau de engajamento à medida que a eleição se aproxima.
“É sabido que tem dois fenômenos que acontecem quando a gente vai se aproximando das eleições: o antipetismo de chegada e o petismo de chegada. As duas coisas acontecem simultaneamente”, disse.
Na interpretação do jornalista, a característica particular do chamado “petismo de chegada” está na mudança de comportamento de parte da militância. Ele citou pessoas que, durante a maior parte da campanha, participam de forma menos intensa, mas passam a atuar diretamente na mobilização eleitoral nos últimos dias.
“Muita gente que vai fazendo campanha de maneira morna, quando se aproxima a reta final, uma massa importante de pessoas, homens e mulheres, vai se empenhar como se fosse a grande batalha de suas vidas”, declarou Altman.
Para ele, esse movimento pode envolver desde a presença nas ruas até a atuação nas redes sociais, conversas com eleitores e participação nas atividades das candidaturas. Altman relacionou essa dinâmica à tradição de mobilização do PT em eleições presidenciais desde 1989.
A análise foi feita a menos de duas semanas do primeiro turno. Segundo o calendário do TSE, os eleitores irão às urnas em 4 de outubro para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Caso seja necessário segundo turno nas disputas para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro.
Ao discutir a reta final, Altman ressaltou que a mobilização não elimina a necessidade de acompanhar os dados das pesquisas nem significa que determinada mudança ocorrerá necessariamente. Sua avaliação é que o nível de engajamento das bases partidárias constitui uma variável adicional para compreender o comportamento eleitoral próximo ao pleito.
“Não se pode desconsiderar esse fator”, afirmou.
Na avaliação apresentada no Bom Dia 247, portanto, a questão central das últimas semanas não se resume às intenções de voto registradas nos levantamentos, mas inclui a capacidade das campanhas de colocar seus apoiadores em movimento.
“Como o petismo chega na reta final? O petismo chega na reta final com muita mobilização”, resumiu Altman. Para o jornalista, é essa intensificação da participação política, que ele descreve como um “tsunami final”, que pode produzir alterações no quadro eleitoral nos dias anteriores à votação.






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