O governo brasileiro reiterou seu apoio à indicação de uma mulher latino-americana para a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU), seguindo a saída de Michelle Bachelet da corrida. A ex-presidente chilena havia sido o nome apoiado pelo Brasil e México, mas sua desistência levou o Itamaraty a enfatizar a capacidade de mulheres da região para ocupar o cargo de Secretário-Geral.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores destacou o currículo de Bachelet, ressaltando suas experiências como chefe de Estado, ministra da Saúde e Defesa, primeira diretora da ONU Mulheres e ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. Para o Brasil, essa trajetória comprova que a América Latina possui lideranças femininas preparadas para conduzir a ONU, comprometidas com a Carta das Nações Unidas e com a promoção do diálogo e entendimento entre os Estados-membros.
Definição do novo nome e contexto regional
Apesar de manter o posicionamento de que a próxima liderança da ONU deve ser uma mulher latino-americana, o governo brasileiro ainda não anunciou quem apoiará. Fontes da diplomacia brasileira indicam que a definição do novo nome está em aberto. A defesa brasileira leva em consideração o critério de rotatividade regional, uma vez que a América Latina não ocupa o posto há décadas.
O mandato do atual Secretário-Geral, o português António Guterres, encerra-se em 31 de dezembro, após dois períodos consecutivos. A busca por um nome alinhado aos princípios centrais da ONU e comprometido com o multilateralismo, baseado no direito internacional e nos pilares da paz, segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável, é um compromisso reiterado pelo Brasil, que também agradeceu ao México pela coordenação conjunta em torno da campanha de Bachelet.
Sucessão da ONU e participação brasileira
A candidatura de Bachelet perdeu força após a retirada do apoio oficial do governo chileno, sob a gestão do novo presidente José Antonio Kast. A sucessão na ONU ocorre em um período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, onde discursará, abordando temas como multilateralismo, crítica a conflitos internacionais e defesa da soberania brasileira.
A escolha do Secretário-Geral é um processo que envolve a recomendação do Conselho de Segurança à Assembleia Geral, com um mandato de cinco anos, passível de recondução. O Secretário-Geral é a principal figura administrativa e diplomática da ONU, coordenando trabalhos, participando de negociações e mediando conflitos, além de alertar o Conselho de Segurança sobre ameaças à paz mundial, embora sem poder de imposição de decisões aos países.







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