247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 77,5 milhões para a Viridis Mineração implantar um Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras em Poços de Caldas, em Minas Gerais. A unidade será voltada à produção, em escala piloto, de carbonato misto de terras raras e ao desenvolvimento de técnicas metalúrgicas para o processamento de argilas iônicas. As informações foram publicadas pela coluna Painel S.A., da Folha de São Paulo.
Os recursos sairão de uma linha do BNDES voltada à inovação, com prazo de 16 anos e juros de 4,8% ao ano. O centro integra a primeira fase do Projeto Colossus, da Virdis, e terá como objetivo simular as condições da futura planta industrial da companhia. De acordo com a empresa, a implantação da unidade deve começar no primeiro trimestre de 2027. A previsão é que a operação tenha início no fim de 2028.
A Viridis afirma que o financiamento permitirá avançar na produção piloto de carbonato misto de terras raras, além de sustentar pesquisas destinadas a aprimorar rotas de processamento das argilas iônicas encontradas em Poços de Caldas. Esse tipo de depósito é considerado estratégico porque pode concentrar elementos usados em tecnologias de alto valor agregado.
Subsidiária brasileira da australiana Viridis Mining and Minerals, a companhia detém 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus IAC, localizado em Poços de Caldas. A área é apontada como um dos depósitos de argilas iônicas mais promissores fora da Ásia.
As terras raras são usadas na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, componentes essenciais para setores como mobilidade elétrica, energia renovável e eletrônica de precisão. A cadeia envolve etapas de pesquisa, lavra, beneficiamento, refino e reciclagem desses elementos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o financiamento pode fortalecer a posição do Brasil na cadeia global de minerais críticos.
“O investimento do BNDES tem potencial de fomentar a produção nacional de terras raras, reduzir importações, promover exportações e consolidar o Brasil como fornecedor estratégico global de minerais críticos para a transição energética, além de contribuir para o desenvolvimento de uma cadeia nacional de fornecedores e estimular a geração de empregos qualificados e a criação de um ecossistema de inovação na região de Poços de Caldas”, disse Mercadante.
A empresa já havia sido selecionada em 2024 pelo BNDES e pela Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos, em chamada pública direcionada a projetos ligados à cadeia de minerais estratégicos para a transição energética.
Com o financiamento aprovado, a Viridis avança em uma etapa considerada decisiva para transformar o potencial mineral de Poços de Caldas em capacidade produtiva. O projeto também se insere em uma disputa internacional por minerais críticos, marcada pela busca de países e empresas por maior segurança no fornecimento de insumos usados em tecnologias limpas e em setores industriais de ponta.






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