247 – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 200 milhões, com recursos do Fundo Clima, para um novo projeto de restauração ecológica da Mombak na Amazônia. A iniciativa prevê recuperar 7,2 mil hectares de áreas degradadas, especialmente no Pará, e reforça a estratégia do banco de ampliar investimentos em reflorestamento, geração de empregos verdes e remoção de carbono da atmosfera.
O projeto terá investimento total estimado em R$ 457 milhões. O financiamento do banco corresponde a cerca de 44% desse montante. Os demais recursos serão aportados pela Mombak a partir de outras fontes. A operação terá prazo total de 25 anos e será viabilizada pela linha Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos.
Restauração em escala na Amazônia
Os recursos serão destinados a atividades como preparo do solo, plantio, manejo, aquisição de mudas e sementes, manutenção das áreas, monitoramento florestal e obras de apoio. A atuação da Mombak será concentrada principalmente em áreas degradadas pela pecuária extensiva no bioma Amazônia.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a operação busca combinar recuperação ambiental, geração de empregos e estruturação de uma atividade econômica baseada na floresta em pé.
“Projetos de restauração em escala permitem recuperar áreas degradadas, gerar emprego e estruturar uma atividade econômica baseada na floresta em pé. O Fundo Clima oferece financiamento de longo prazo compatível com o ciclo desses investimentos, viabilizando iniciativas de restauração com espécies nativas”, disse Mercadante.
A implantação deverá ocorrer ao longo de quatro anos. A recuperação das áreas combinará diferentes técnicas, definidas conforme as condições de cada território, incluindo plantio de mudas, semeadura direta e regeneração natural assistida. A previsão é que cerca de 90% da área seja restaurada por plantio e semeadura, enquanto aproximadamente 10% utilize regeneração assistida.
Carbono, biodiversidade e empregos verdes
A operação deve resultar na remoção de mais de 4,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo de 50 anos. A expectativa é que o financiamento do BNDES gere até 4,7 milhões de unidades de créditos de remoção de carbono, que poderão ser comercializadas no mercado voluntário e, futuramente, em mercados regulados de carbono em desenvolvimento no mundo.
Durante a fase de implantação, o projeto deve criar até 440 empregos diretos e 65 indiretos. Após essa etapa, a estimativa é de manutenção de 50 postos de trabalho, entre vagas diretas e indiretas. A iniciativa também deve movimentar cadeias locais ligadas ao fornecimento de sementes e mudas, serviços florestais, manutenção e monitoramento das áreas restauradas.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que os efeitos da restauração vão além da captura de carbono.
“A restauração tem efeitos que vão além da captura de carbono. A recuperação da vegetação nativa contribui para proteger o solo e os recursos hídricos, reconectar áreas de floresta, ampliar habitats para a fauna e fortalecer cadeias produtivas ligadas à restauração. É uma agenda ambiental que também gera atividade econômica e empregos nos territórios”, afirmou.
Espécies nativas e recuperação ambiental
Entre as espécies nativas previstas no projeto estão castanheira, paricá, ipê-amarelo, ipê-roxo, angelim-vermelho, samaúma, tachi-branco, fava-arara, mogno-brasileiro e amarelão. A combinação busca acelerar a formação da cobertura florestal, recuperar a biodiversidade e favorecer a regeneração natural das áreas ao longo do tempo.
O modelo de negócios da Mombak prevê a restauração de áreas anteriormente usadas, principalmente, pela pecuária de baixa produtividade. Após o crescimento da nova floresta, a remoção de carbono será certificada e convertida em créditos.
Gabriel Haddad Silva, CEO da Mombak, afirmou que o financiamento permitirá ampliar o modelo de reflorestamento que a empresa já vem desenvolvendo e testando em campo.
“Esse financiamento permite à Mombak dar sequência ao modelo de reflorestamento que vem desenvolvendo e testando em campo. A partir dos resultados dos primeiros projetos, vamos levar diferentes técnicas e espécies biodiversas para uma área maior, com investimento de longo prazo. O projeto nos dá maior capacidade de recuperar áreas degradadas e gerar remoções de carbono em escala”, declarou.
Segunda operação com a Mombak
Esta é a segunda operação de financiamento do BNDES com a Mombak para restauração ecológica. A primeira, contratada em janeiro de 2025, no valor de R$ 160 milhões, prevê a recuperação de 13 mil hectares no bioma Amazônia. Até junho de 2026, 9,4 mil hectares já haviam sido implantados.
Somadas, as duas operações representam R$ 360 milhões em financiamentos do banco e a restauração de aproximadamente 20,2 mil hectares. A nova operação reforça a aposta do BNDES em projetos de longo prazo voltados à recuperação de áreas degradadas, à geração de ativos ambientais e à estruturação de uma economia florestal.
Estratégia BNDES Florestas
As operações com recursos do Fundo Clima integram a estratégia BNDES Florestas, que reúne instrumentos de crédito, recursos não reembolsáveis e investimentos em participação para restauração ecológica, conservação, bioeconomia e geração de ativos ambientais.
Segundo o BNDES, a estratégia já mobilizou R$ 14,6 bilhões para o plantio de 354 milhões de árvores, a geração de 89 mil empregos verdes e a remoção de 68 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.






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