A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou nesta sexta-feira (30) que começou a recuperar os ativos afetados por um ataque hacker que atingiu mais de US$ 6,3 bilhões na noite de quinta-feira (29). A empresa diz já ter reservado mais de US$ 6,34 bilhões em fundos próprios para cobrir o incidente, considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado.
Segundo a Binance, US$ 5 bilhões desse total já estão mantidos nos ativos exatos, em tokens, que foram impactados. A empresa informou que está completando a compra do valor restante por canais de mercado e por operações OTC (Over-The-Counter), para corresponder ao formato dos ativos remanescentes e cobrir eventuais déficits. A etapa, de acordo com a companhia, pode demorar mais por causa da baixa liquidez de alguns tokens e do formato das operações OTC.
Como foi o ataque
De acordo com as empresas americanas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis, a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, a partir do fim da quinta-feira. Ambas se disseram altamente confiantes de que a Coreia do Norte é a responsável. O grupo TraderTraitor, associado ao país, é apontado como autor do ataque.
A TRM afirmou que os invasores conseguiram fazer com que as carteiras usadas pela Binance fossem esvaziadas para carteiras controladas pelos hackers, método semelhante ao de um roubo ocorrido em 2025 na corretora Bybit, que o FBI atribuiu a Pyongyang. A Coreia do Norte nega rotineiramente esse tipo de acusação, e sua missão em Genebra e sua embaixada na China não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.
A investigação inicial da Binance sugere que a violação pode ter começado com o laptop hackeado de um engenheiro, o que deu a um invasor acesso a um dos sistemas e permitiu saques não autorizados. A empresa descreveu o episódio como "um ataque complexo" que "revelou pontos adicionais de violação" e disse que sua equipe de segurança rastreia todo o caminho do ataque. Para o ex-diretor da extinta Mt Gox, Mark Karpeles, os invasores provavelmente acessaram chaves privadas de pelo menos duas carteiras da corretora.
Congelamento e promessa de cobertura
Ao identificar a invasão, a Binance suspendeu os saques e, com parceiros e autoridades policiais, congelou cerca de US$ 3 bilhões na blockchain. Emissores de stablecoins também agiram: a Tether informou ter congelado quase US$ 1,57 bilhão, e a Circle, mais de US$ 800 milhões. A World Liberty Financial, apoiada por Trump, trabalhou com a custodiadora BitGo no congelamento de fundos. A cofundadora da Binance, Yi He, disse que foram congelados US$ 27 milhões em stablecoins e cerca de US$ 2 milhões em tokens da World Liberty, além de aproximadamente US$ 200 milhões pela Ripple. A empresa não detalhou a situação dos US$ 3,3 bilhões restantes e esperava retomar os saques em até 48 horas.
"Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas", escreveu o co-CEO Richard Teng no X. Ele acrescentou: "Nossa investigação não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo." A Binance também diz que continuará usando recursos internos para cobrir os déficits confirmados e, em última análise, usará sua Prova de Reservas para verificar os fundos dos usuários.
Impacto no mercado
"É o maior ataque hacker da história", disse Aravind Srinivasan, da corretora GSR. O bitcoin chegou a US$ 76.368, menor cotação em seis semanas, e o ether recuou mais de 3%, para US$ 2.178, o menor valor em dois meses, antes de o mercado se estabilizar. O BNB, token da Binance, caiu 5% em 24 horas, para US$ 709,70, segundo o CoinGecko. No pregão prolongado dos EUA, as ações da Coinbase, que disse não ter sido afetada, caíam 4,8%, e as da Strategy, compradora de bitcoins, recuavam quase 6%.
A Binance tem 335 milhões de usuários registrados e cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia, segundo seu relatório anual de 2025. Ela mantém ainda um fundo de proteção a usuários com reserva de US$ 1 bilhão em bitcoin. Analistas apontam que o mercado já estava pressionado por juros mais altos nos EUA e menor demanda por ETFs. Em 2025, segundo a TRM Labs, invasores roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 ataques.






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