A menos de três semanas das eleições presidenciais de 2026, o país é surpreendido por integrantes do Supremo Tribunal Federal envolvidos com o corrupto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – banco este que causou bilhões de prejuízo aos cofres públicos com ações fraudulentas no sistema financeiro -, que, quando foi preso, estava fugindo do país, embarcando em avião particular para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.   

Daniel Vorcaro, transformado em banqueiro no governo Bolsonaro, armou, com muitos milhões de dólares roubados, uma trama de relações pessoais envolvendo políticos – aqui nenhuma surpresa -, mas também integrantes do Supremo Tribunal Federal. 

Quando o banqueiro é preso, no âmbito da operação Compliance Zero, o caso no Supremo cai nas mãos do Ministro Dias Toffoli. A partir daí, outras investigações revelam que este Ministro esteve, por meio de familiares, envolvido como acionista num Resort no interior do Paraná. Imediatamente, a mídia corporativa, que tem laços orgânicos com o sistema financeiro, inicia um desgaste diário do ministro, que é levado a ser julgado pelos integrantes do Supremo. Mesmo absolvido, é recomendado que ele se retire da relatoria do inquérito para preservar a Corte. O Ministro se retira e, por sorteio, o inquérito é transferido para o ministro André Mendonça, um dos ministros indicados, juntamente com Nunes Marques, por Jair Bolsonaro. 

A partir daí, começaram a surgir vazamentos do inquérito que atacam o filho do Presidente Lula, supostamente envolvido indiretamente com o banco Master. Suas contas são devastadas, a mídia corporativa explora o caso o máximo possível, nada é provado! Por outro lado, paralizam-se as investigações sobre os envolvimentos da família Bolsonaro, incluindo Flávio Bolsonaro, que admitiu ter recebido do Banco Master milhões para a elaboração do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, o que passa a ser alvo de críticas pelos setores da esquerda. Até aqui, tudo dentro de uma certa normalidade num país dividido. 

O que causou uma explosão na nação foi quando o ministro André Mendonça, descobrindo mensagens de Vorcaro direcionadas ao Ministro Alexandre de Moraes através de “blocos de notas” de visualizações únicas, das quais grande parte não chegou a ser enviada, abriu um inquérito pedindo a investigação do Ministro, algo até então nunca visto dentro da Suprema Corte. 

Alexandre de Moraes, que já estava sendo alvo da mídia corporativa em decorrência dos contratos do escritório de advocacia de sua esposa com o Banco Master, imediatamente abre um outro inquérito no qual solicita investigação do Ministro André Mendonça por ser parcial nas conduções do inquérito sobre o Banco Master. O pavio foi aceso! 

O Ministro André Mendonça, em decisão monocrática, resolve afastar o Chefe da Polícia Federal alegando investigações ilegais. Esta decisão é aprovada pela Segunda Turma do Supremo, pelos ministros Fux, e Nunes Marques em tempo recorde. O Ministro Gilmar Mendes pede vistas, mas a maioria estava formada, aprovando o afastamento do Chefe da Polícia Federal. 

O ministro Flávio Dino, também em decisão monocrática, alegando prejuízos em outras investigações em curso, recoloca o Chefe da Polícia Federal em seu cargo, causando uma celeuma jurídica nunca vista no Supremo. O ministro Fachin, presidente do tribunal, resolve anular todas as decisões, o que faz com que o Chefe da Polícia continue em seu cargo, e marca, para o dia 15 de setembro, sessão da Corte para julgar a abertura ou não de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. 

Nas vésperas da sessão, os Ministros Zanin e Flávio Dino solicitam ao presidente da corte, Edison Fachin, acesso a todas as informações dos telefones apreendidos de Daniel Vorcaro que ainda não haviam sido repassadas pelo gabinete de André Mendonça. Alegaram que seriam informações importantes para as decisões que tomariam no julgamento. O ministro Fachin acatou o pedido.

Nesta sessão histórica, que durou o dia todo, uma questão de ordem é colocada logo no início para ver se os dois pedidos de investigação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça seriam julgados juntos ou separados. A justificativa de ser juntos enaltecia o fato de que, se fossem separados, poderíamos ter um juíz que ainda não foi julgado julgando outro juiz. Como se não bastasse o cenário, discussões acaloradas, trocas de acusações e xingamentos polidos jogaram a imagem do Supremo na lata do lixo, levando o Ministro Flávio Dino a pedir vistas por, no máximo, três meses. No final, tudo permaneceu empatado na Questão de Ordem: Fachin, Mendonça, Fux e Carmen Lúcia votaram a favor da separação dos julgamentos e Flávio Dino, Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes votaram a favor de um julgamento unificado. Os ministros Toffoli e Nunes Marques alegaram impedimento no início da sessão. 

Com a liberação total das informações do celular de Vorcaro, novas informações chegaram ao público, mostrando que outros Ministros também haviam tido, direta ou indiretamente, contatos com o banqueiro preso. Pelas mensagens, o filho de Fux teria oferecido um tapete vermelho para o banqueiro. Diálogos de Vorcaro citam supostos pagamentos de 500 mil reais ao filho do ministro Nunes Marques.Um dia depois de ter tido reunião com Vorcaro, o ministro André Mendonça tomou decisão a favor do banqueiro em uma ação. Gilmar Mendes admitiu encontro com Vorcaro mas alegou voto contrário em sentença. Paulo Gonet, Procurador Geral da República, admitiu ter encontrado Vorcaro. Até conversas do banqueiro com uma cafetina que teria fornecido uma prostituta para um tal de Kássio “com K” e cobrado “10 K”, dez mil reais, pelos serviços prestados, surgiram. O Supremo, assim, vê-se na maior crise moral de sua história. Mas a pergunta que se faz é: a quem interessa destruir o Supremo? Para isso precisamos rever alguns fatos:

  1. Em que pesem as acusações sobre o ministro Alexandre de Moraes, tanto pelos contratos do banco Master com sua esposa quanto pelas mensagens encontradas em bloco de notas, que ele nega, uma coisa é certa: foi Alexandre de Moraes que fez todas as investigações sobre o golpe de 08 de janeiro de 2023 e colocou sua cúpula atrás das grades, incluindo Jair Bolsonaro, generais, policiais, etc. As investigações provaram, inclusive, que havia até uma trama para assassinar Moraes, Lula e Alckmin nas primeiras horas do golpe. Alexandre de Moraes foi sancionado pela Lei estadunidense Magnitsky em 2025 e, agora, é ameaçado novamente. 
  2. É inegável que os Estados Unidos da América estavam, no mínimo, interessados neste golpe. Trump já havia tentado algo parecido quando perdeu as eleições para Biden naquele país. Os EUA, com os juízes lavajatistas, foram peças chave no golpe contra a Presidenta Dilma em 2016, um golpe que tirou do país o controle sobre o Pré-sal, passando-o para empresas estrangeiras. Um novo golpe, em 2023, seria ideal para as novas pretensões dos EUA. Mas quem impediu? O Supremo! 
  3. Geopoliticamente, os EUA estão de olho tanto nas reservas minerais do Brasil quanto nas novas descobertas de petróleo na margem Equatorial entre Amapá e Rio Grande do Norte e nas terras raras do interior do país. Vendo que o Presidente Lula nessas eleições permanece líder nas pesquisas eleitorais, um novo golpe se desenha! Trump já declarou oficialmente que PCC e CV, facções do tráfico no Brasil, são “terroristas”, fato que abre brechas para intervenções no país. Nesta semana, declarou que o Brasil não conseguiu combater o PCC e o CV. Tudo é possível para Trump, um presidente que sequestrou Maduro na Venezuela, ameaçou tomar a Groenlândia da Dinamarca e invadir o Canadá e México, mas, no caso do Brasil, é necessário, antes de tudo, corroer a instituição que evitou o golpe de 2023: o Supremo!  
  4. O Ministro Kássio Nunes Marques e o Ministro André Mendonça são Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, do Tribunal Superior Eleitoral, tribunal este que valida as eleições no país. Entretanto, os dois, como vimos, estão muito envolvidos no caso do Banco Master de Daniel Vorcaro. Isso pode ser usado para justificar um discurso de fraude nas eleições brasileiras. 
  5. O sistema financeiro parasitário não quer saber de mais quatro anos de governo Lula. Ele continua sedento para privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, as universidades e as riquezas minerais da nação. Um golpe seria o ideal para reverter o resultado das eleições caso a vitória de Lula se confirme. 
  6. Os EUA, estão em profunda crise. A guerra com o Irã se mostrou um grande tiro no pé. O país perdeu sua hegemonia na Ásia Ocidental e o controle sobre o estreito de Ormuz. A falta de petróleo e o aumento do diesel passam a gerar inflação nos EUA. A dívida pública estadunidense ultrapassou os 40 trilhões de dólares nesse ano, antes do esperado. Suas reservas de petróleo estão baixas. Trump rompeu com o Canadá, que garantia esses recursos. O Brasil pode ser uma tábua de salvação com o Pré-Sal e as terras raras e ainda serviria de propaganda para Trump, que percebe altos índices de rejeição para as eleições de meio de mandato, que vão ocorrer em novembro nos EUA e podem mudar a configuração da Câmara e do Senado no Congresso. 

A destruição do Supremo Tribunal Federal no Brasil pode ser o primeiro capítulo do roteiro de um novo golpe, e tudo indica que estão obtendo sucesso! Se os ministros do Supremo cometeram ilícitos, todos devem ser julgados sim, com amplo direito de defesa, e, se for o caso, punidos e trocados, mas a Instituição Supremo Tribunal Federal deve permanecer! Se podemos votar ainda nas eleições, isso é graças ao Supremo! Foi esta instituição que defendeu a democracia no golpe de 2023, só ela poderá ter uma atuação parecida, se for necessário, num futuro próximo. O seu descrédito só interessa aos interesses geopolíticos dos EUA.