Um avião Cirrus SR22 acionou seu paraquedas de emergência logo após decolar do Aeroporto da Pampulha, na região metropolitana de Belo Horizonte, em 11 de março de 2023. A aeronave levava seis pessoas a bordo, que saíram ilesas do incidente. O relatório final divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que um bloqueio na bomba de combustível foi responsável pelo ocorrido.
Os testes realizados identificaram detritos de alumínio situados entre o eixo e o revestimento da bomba responsável por levar combustível ao motor. Esse material travou o eixo enquanto o motor continuava girando, provocando a ruptura imediata do acoplamento e interrompendo o fluxo de combustível. Segundo os peritos, esse componente de alumínio não era parte original da bomba e provavelmente estava presente desde a fabricação ou montagem da peça.
Pouco depois que a aeronave ganhou altitude, perdeu potência repentinamente. Sem tempo hábil para tentar um pouso convencional ou reativar o motor travado, o piloto acionou o sistema de paraquedas integrado à estrutura do avião, permitindo uma descida controlada sobre vegetação em Sabará, município vizinho. O equipamento de emergência preservou a integridade física de todos os ocupantes.
A aeronave realizava seu primeiro voo com passageiros após a conclusão dos processos de nacionalização no Brasil. O monomotor possuía apenas 43 horas e 36 minutos de voo acumulados desde a saída da fábrica. Como o filtro de combustível estava limpo e íntegro, os investigadores trabalham com a hipótese de que o resíduo metálico tivesse estado alojado na peça desde sua fabricação.
O que a bomba auxiliar não conseguiu evitar?
A bomba elétrica auxiliar não foi projetada para alimentar o motor durante o voo. Sua função exclusiva era preparar a linha de combustível para a partida inicial e impedir a formação de bolhas de vapor na tubulação. Quando a bomba mecânica falhou, a unidade elétrica não tinha capacidade técnica para reverter o problema.
O Centro de Investigação recomendou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que interceda junto à fabricante Continental para reforçar o controle de qualidade na produção das bombas, evitando que detritos permaneçam nos componentes durante a montagem fabril. A Continental informou que este foi o primeiro caso registrado de ruptura de eixo nesse modelo de bomba. A empresa inspecionou outros motores do mesmo lote sem identificar problemas semelhantes e, após a troca da peça, o motor operou normalmente em todos os testes.







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