247 – O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite da última terça-feira (1º), aos 83 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A notícia da morte por causas naturais foi confirmada por seu filho, Pedro Gracindo. O artista, que contava com mais de 50 anos dedicados à trajetória artística no teatro, cinema, rádio e televisão, foi um dos pioneiros da TV Globo, participando ativamente da fundação da emissora.

O velório do artista será aberto ao público e está agendado para esta quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, localizado no Rio de Janeiro. O procedimento de cremação do corpo do ator está marcado para o mesmo local, às 14h10. Gracindo Jr. deixa a esposa, Daisy Poli, com quem viveu por mais de 50 anos, além de cinco filhos e sete netos.

Nascido sob o nome de Epaminondas Xavier Gracindo na capital fluminense, em 21 de maio de 1943, ele era filho de outro ícone da dramaturgia nacional, o ator Paulo Gracindo (1911-1995). Apesar de ter feito formação acadêmica e cursado a faculdade de Psicologia, Gracindo Jr. nunca chegou a exercer a profissão, decidindo voltar seus esforços e carreira integralmente para a produção artística.

Seu primeiro passo na área cultural ocorreu em 1959, aos 15 anos de idade, quando realizou um teste para integrar a equipe da Rádio Nacional — veículo onde seu pai já se consagrasse como galã das radionovelas e comandante de programas de auditório. Aprovado no processo seletivo, o jovem iniciou sua trajetória profissional atuando como ator, redator e disc-jóquei na rádio. Pouco tempo depois, em 1961, acumulou funções ao estrear no teatro com a montagem da peça “A Escada”, obra escrita por Oswald de Andrade.

Em dezembro de 1964, o ator foi contratado para compor o primeiro time de talentos da TV Globo, antes mesmo da inauguração oficial da rede, ocorrida em abril de 1965. Em depoimento registrado para o acervo do Memória Globo, ele relembrou o momento: “Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado”. Integração constante do primeiro elenco da empresa, o ator figurou em títulos históricos das primeiras etapas da teledramaturgia brasileira, entre eles “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Supermanoela” e “Os Ossos do Barão”, obra em que contracenou diretamente com o pai.

As parcerias em cena entre pai e filho se repetiram em produções marcantes da televisão. Gracindo Jr. e Paulo Gracindo voltaram a trabalhar juntos em “O Bem-Amado”, clássico de Dias Gomes, e em “O Casarão”, escrita por Lauro César Muniz, produção na qual dividiram a interpretação do mesmo personagem protagonista nas fases jovem e idosa da narrativa.

Ao longo de décadas, acumulou papéis de destaque em produções populares do país, como “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus Nos Acuda”, “Explode Coração”, “Anjo de Mim”, “Esplendor” e “Celebridade”. Parallelamente à atuação, desenvolveu sólida carreira como diretor de entretenimento, comandando a novela “Marron-Glacé” e a direção do programa humorístico “Os Trapalhões”, em 1983. Gracindo Jr. atuou também no desenvolvimento e na apresentação dos primeiros videoclipes de músicos e artistas brasileiros transmitidos pelo programa “Fantástico”.