247 – Ao menos quatro pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas neste domingo (6) após uma sequência de ataques aéreos israelenses contra localidades do sul do Líbano, segundo autoridades libanesas.
As informações foram divulgadas pela Al Jazeera, com base em dados da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) e do Ministério da Saúde do país. Os bombardeios começaram ao amanhecer e atingiram Nabatieh, Arab Salim, Nabatieh al-Fawqa e Kfar Reman.
Em Arab Salim, duas mulheres morreram e seis pessoas ficaram feridas depois de um ataque aéreo. Segundo a NNA, as forças israelenses haviam emitido anteriormente uma ordem para que moradores deixassem um edifício na cidade.
Já em Nabatieh al-Fawqa, o Ministério da Saúde do Líbano informou a morte de outras duas pessoas em decorrência de um bombardeio israelense.
Prédios e áreas civis são atingidos
Na cidade de Nabatieh, um dos ataques destruiu um edifício histórico pertencente ao irmão de um integrante do Parlamento libanês e provocou danos em construções próximas.
Em Kfar Reman, outro bombardeio destruiu a residência do falecido ex-prefeito da cidade. Cinco pessoas receberam atendimento em hospitais de Nabatieh e posteriormente foram liberadas.
Um novo ataque também atingiu o Jardim Sayyida Masouma, destruindo parte do que havia restado do parque municipal após um bombardeio registrado no dia anterior.
Israel afirmou que a ofensiva foi realizada em resposta ao lançamento de dois drones pelo Hezbollah contra suas tropas no sul do Líbano. Segundo o governo israelense, a ação do grupo libanês representou uma “violação flagrante”.
Escalada desde março
Os ataques ocorrem em um cenário de continuidade das hostilidades entre Israel e o Hezbollah. Desde março, quando o grupo libanês atacou Israel durante a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, as forças israelenses passaram a realizar bombardeios em diferentes regiões do Líbano e avançaram por terra no território libanês.
Segundo o governo do Líbano, mais de 4.300 pessoas morreram durante essa fase do conflito.
Forças israelenses continuam posicionadas em uma área que Israel define como “zona de segurança”, com aproximadamente 10 quilômetros de profundidade dentro do território libanês.
A intensidade das operações diminuiu depois de um memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em junho e de um acordo-quadro assinado por Israel e Líbano no fim daquele mês.
Apesar disso, autoridades libanesas continuam registrando ataques aéreos, bombardeios de artilharia e demolições de construções civis em localidades do sul do país.
Na sexta-feira (4), outros ataques israelenses no sul e no leste do Líbano deixaram quatro mortos, entre eles uma jovem de 18 anos. Israel afirmou naquela ocasião que havia atingido posições do Hezbollah em resposta ao lançamento de um drone contra seus soldados.
Israel avalia reposicionamento de tropas
Nesta semana, Israel também anunciou ter assumido o “controle operacional” da estratégica cordilheira de Ali al-Taher, localizada nas proximidades de Nabatieh. O Hezbollah não se manifestou sobre a declaração.
Paralelamente, o governo israelense avalia a possibilidade de reposicionar tropas que atualmente ocupam áreas do território libanês.
Segundo a emissora pública israelense Kan, que citou fontes de segurança, os militares se preparam para recuar entre três e quatro quilômetros em direção à fronteira com Israel e estabelecer uma nova área de posicionamento chamada de “Linha Cinza”.
A eventual mudança retiraria soldados israelenses de trechos da chamada “Linha Amarela”, que se estende ao norte do rio Litani.
O plano ainda não recebeu aprovação da liderança política de Israel, e não há definição sobre uma eventual transferência das áreas desocupadas para o Exército libanês.
Hezbollah denuncia campanha israelense
O Hezbollah condenou a ofensiva de Israel e afirmou que os ataques ocorrem em meio a um “silêncio internacional completo e à flagrante cumplicidade americana”.
O grupo também reiterou sua oposição às “negociações diretas infrutíferas” conduzidas pelo governo libanês com Israel.
Em meio à nova escalada, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, conversou por telefone no sábado (5) com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar, Doha tem atuado diplomaticamente para tentar reduzir as tensões entre Israel e Líbano.






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