Após o primeiro turno das eleições, o Partido Liberal (PL) recebeu doações de R$ 2,3 milhões de empresários dos setores financeiro, de combustíveis e de mineração. No mesmo período, o Partido dos Trabalhadores (PT) declarou ter recebido R$ 85 mil. As doações ao PL aconteceram depois que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com mais de dois milhões de votos de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As contribuições foram direcionadas às agremiações políticas em vez dos candidatos, uma prática que faz com que o dinheiro não apareça diretamente na prestação de contas dos que disputam a eleição, sendo identificado em um sistema separado.
Entre os doadores do PL no segundo turno estão Ralph Gustavo Rosemberg Whitaker Carneiro e Bruno Baptistella, da gestora de investimentos Perfin, que doaram R$ 500 mil cada. Arnoldo Hammerschmidt, dono da rede paranaense de postos de combustíveis Potencial, contribuiu com R$ 600 mil. Luiz Henrique Andrade de Araujo e Pedro Henrique de Oliveira, diretores do Banco Mercantil, doaram R$ 100 mil cada. Em nota, o Banco Mercantil informou que a doação foi pessoal e não envolveu recursos da empresa.
Valeria Fernandez Borges Dias, da Flapa Mineração, e Renato Moraes Salvador Silva, da Tramix, ambos donos de mineradoras, também doaram R$ 200 mil cada ao PL. Os setores de infraestrutura, mineração, finanças e combustíveis se destacam nas contribuições neste segundo turno, por dependerem de contratos governamentais ou estarem sob supervisão de agências reguladoras.
O Partido dos Trabalhadores recebeu doações de representantes da agroindústria, como José Sergio Ferrari Junior, João Luiz Quagliato Neto, Roque Quagliato, Mario Tittoto e Carlos Ubiratan Garms. Garms, que doou para os dois partidos, é presidente do conselho deliberativo da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), que afirmou que a doação não representa a entidade.
Doações no primeiro turno
No primeiro turno, Frederico Gerdau Johannpeter fez a maior doação para o partido de Flávio, com R$ 2,5 milhões. A maior doação direta para a campanha do candidato à presidência do PL, de R$ 1 milhão, veio de Angela Cristina Cattozatto Fortunato, esposa de Francisco Fortunato, presidente e acionista do Grupo OCQ. O empresário Luiz da Rocha Salles Filho, ex-sócio da construtora OAS, também doou R$ 1 milhão. OAS e OCQ declararam que as contribuições foram por motivações pessoais.
A maior doação de pessoa física para o PT no primeiro turno foi de R$ 500 mil, feita por Sergio Augusto Guerra de Resende, fundador da Locamerica. O PT também recebeu R$ 344 mil do controlador do Grupo Amil, Jose Seripieri Filho, além de R$ 100 mil de cada um dos irmãos João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Junior, acionistas do Itaú.







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