247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), agradeceu nesta sexta-feira (4) o apoio recebido de líderes religiosos em um vídeo divulgado nas redes sociais. O magistrado afirmou que as orações e mensagens de carinho têm sido fundamentais para ajudá-lo a enfrentar o momento.

A publicação ocorreu em meio à crise no STF relacionada ao caso do Banco Master. No vídeo, Mendonça agradeceu às manifestações de solidariedade e afirmou que elas também têm ajudado sua família.

“Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, disse.

Ao final da gravação, o ministro também agradeceu a generosidade recebida e desejou bênçãos aos líderes religiosos e ao país. “Eu louvo a Deus por sua vida, grato pela generosidade e solidariedade que tenho recebido. Que Deus os abençoe e que Deus abençoe o nosso país”, concluiu.

Crise do Banco Master no STF

A manifestação de Mendonça ocorre três dias depois de o ministro retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes.

Na mesma decisão, Mendonça sugeriu que os elementos apresentados nos relatórios da PF fossem analisados pelo plenário do Supremo. Depois da divulgação do material, determinou ainda que a Procuradoria-Geral da República apresentasse um parecer sobre o caso.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado nos relatórios tornados públicos por Mendonça, afirmou que a investigação é nula e que não poderia ter sido realizada sem uma solicitação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.

Moraes pede investigação contra Mendonça

Na noite de quinta-feira (3), Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça.

Na petição, Moraes apontou indícios de possíveis práticas de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de determinados grupos políticos na condução dos casos relacionados ao Banco Master e ao INSS.

Moraes também citou um relatório da PF que contém uma ressalva sobre a natureza do documento. Segundo os investigadores, o material é de uso restrito, não possui poder de decisão, não pode ser utilizado como prova nem servir de fundamento para uma representação ou ser citado como fonte em documento externo.

Com base nas informações mencionadas pela Polícia Federal, Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado atribuições das autoridades policiais responsáveis pelas investigações, conduzido de maneira irregular tratativas relacionadas a uma eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, a investigação de determinados alvos.

Entre os nomes mencionados por Moraes estão o próprio ministro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Moraes citou ainda a Constituição Federal e o regimento interno do STF, segundo os quais caberia a um órgão colegiado analisar eventual prática de crime comum por magistrados. Segundo o ministro, o relatório da PF aponta que Mendonça teria adotado medidas “com flagrante perda de imparcialidade”.