Em Nova Déli, no centro de convenções Bharat Mandapam, a jornalista indiana Palki Sharma, em sua transmissão de encerramento da 18ª Cúpula do BRICS, veiculada pelo canal India Global Review, apresentou um balanço que questionou a cobertura da imprensa corporativa do Norte global. Sharma analisou a maturidade política alcançada pelo bloco ampliado, contrastando as previsões ocidentais com os resultados das negociações na capital indiana.

Previsões Ocidentais vs. Consenso de 45 Páginas

Nos meses que antecederam o encontro, capitais ocidentais previam dificuldades para o fórum. A reunião preparatória de chanceleres em maio terminou sem uma declaração ministerial conjunta, o que alimentou o ceticismo de veículos como BBC e The New York Times. No entanto, a diplomacia indiana resultou em uma declaração de líderes aprovada por consenso, com 45 páginas e mais de 18 mil palavras, um feito que Sharma classificou como um sucesso político. Ela apontou a distância entre as manchetes ocidentais e a realidade observada no Bharat Mandapam.

A jornalista refutou a ideia de que a figura de Donald Trump pairava sobre a cúpula, afirmando que o tema não foi prioritário para as delegações do Sul Global. Em vez disso, a declaração conjunta condenou tarifas unilaterais, medidas protecionistas e sanções econômicas coercitivas. Também desmentiu a centralidade da guerra na Ucrânia, que, ao contrário do que noticiaram redações ocidentais, não foi mencionada nominalmente nas 45 páginas do documento final. Além disso, Sharma contestou a representação do grupo como fragmentado, destacando que o Sul Global adota uma governança policêntrica e democrática, capaz de construir consensos entre nações soberanas sem ultimatos ou sanções, diferente de fóruns como o G7 ou a OTAN.

BRICS+: Expansão e Foco em Soluções Reais

O segundo dia da conferência focou no formato ampliado BRICS+, que incluiu os 11 membros plenos e uma rede de 10 países parceiros, como Malásia, Vietnã e Cuba. Entre os pontos destacados por Sharma, houve o combate à instrumentalização do comércio, com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi alertando sobre os riscos do uso geopolítico das cadeias de suprimentos de semicondutores, tecnologia e minerais críticos.

Houve também uma cobrança explícita de Déli para que o grupo apresentasse soluções econômicas e operacionais concretas. O presidente chinês Xi Jinping propôs a iniciativa do “Grande BRICS” para criar um mercado integrado, estimulando novos polos de inovação tecnológica. A cúpula também foi palco para a diplomacia bilateral, como o diálogo entre o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e a liderança dos Emirados Árabes Unidos para conter a escalada bélica no Oriente Médio.

Para a audiência da TV 247, a análise de Palki Sharma resumiu que o BRICS não precisa ser um bloco reativo ou anti-Ocidente para redefinir as regras globais. Reunindo cerca de metade da população mundial e frações significativas da economia, comércio e reservas energéticas, os países emergentes avançam na arquitetura de instrumentos próprios, desde o financiamento de infraestrutura pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) até a interoperabilidade de pagamentos digitais e moedas locais para mitigar riscos cambiais e sanções externas. Em Nova Déli, enquanto a mídia ocidental falava em paralisia, o Sul Global consolidou mais um passo institucional em direção a uma governança internacional descentralizada e soberana.