A condução das eleições de 2026 pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, revela uma gestão marcada por atrasos na resposta a problemas que prejudicaram diretamente o exercício do voto no segundo turno. Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, cujo filho concorre à Presidência, o magistrado enfrentou críticas ao deixar que a crise se agravasse até exigir a intervenção da própria Corte Suprema.

Em Salvador, transtornos na circulação de ônibus impediram deslocamentos de eleitores, enquanto São Paulo registrou dificuldades logísticas. Essas ocorrências geraram pressão para estender o horário de votação até as 19h nas seções que estavam abertas, a fim de garantir que os brasileiros afetados pudessem exercer seu direito de voto. Apesar da urgência, a medida só foi implementada depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, tomou uma decisão nesse sentido.

O episódio expõe uma contradição na atuação de Nunes Marques. Enquanto o TSE se movimentou na reta final da campanha para lidar com o canal "Exército do Lula", alvo de críticas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), a solução para problemas que afetavam diretamente os eleitores dependeu de uma interferência externa do Judiciário. Em uma disputa decidida voto a voto, a demora na tomada de decisão pode ter consequências irreversíveis.

Responsabilidade administrativa em xeque

A questão não é necessariamente um eventual favorecimento a um dos candidatos, mas a responsabilidade que Nunes Marques assume pela condução do processo eleitoral. A presidência do TSE exige capacidade de antecipar crises e oferecer respostas céleres. Quando a solução para assegurar o direito ao voto precisa vir de outro membro do Judiciário, a autoridade administrativa de quem comanda a eleição fica questionada.

Ao optar pela inação, Nunes Marques permitiu que um problema operacional se transformasse em uma crise institucional. A extensão do horário de votação, adotada apenas após a decisão de Zanin, reforça as dúvidas sobre sua capacidade de reação e reafirma a necessidade de lideranças que entendam a urgência de proteger as eleições e a democracia.