247 – A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre as ligações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a gerar pressão sobre o presidente Lula. Aliados e integrantes de sua campanha avaliam que o petista deve se manifestar publicamente sobre o caso e defender a apuração dos fatos. As informações foram publicadas pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.
Lula já recebeu diversos apelos para que se pronuncie sobre o escândalo envolvendo Vorcaro e Moraes, mas até agora permanece em silêncio.
Na terça-feira (1), o ministro André Mendonça, relator do processo do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da PF que aponta conexões entre Moraes e Vorcaro. A decisão ampliou a crise no STF, que deve decidir nos próximos dias se abre ou não uma investigação contra o ministro.
O silêncio de Lula contrasta com a movimentação de outros candidatos na disputa presidencial, que já se posicionaram em defesa da abertura de investigação. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista, foi além e pediu a renúncia de Alexandre de Moraes.
De acordo com a coluna, integrantes da campanha de Lula discutiram internamente o tema e concluíram que o melhor caminho seria o presidente adotar uma postura semelhante à que teve diante das investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em entrevistas anteriores, Lula afirmou que o filho deve ser investigado e precisa provar a própria inocência.
Candidatos do PT a governos estaduais, ao Senado e à Câmara também passaram a defender publicamente a apuração. O ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) afirmou que o caso deve ser investigado sem distinção entre aliados e adversários.
“Sempre defendi e vou continuar defendendo que tudo seja passado a limpo, porque é muito grave o que aconteceu com o Brasil. Não é uma questão menor. Envolva quem envolver. Tem vários inquéritos abertos sobre o “Dark Horse” (filme sobre Jair Bolsonaro), sobre o Supremo, sobre quem for. As coisas precisam ser apuradas, a verdade precisa ser conhecida, os responsáveis punidos para que isso nunca volte a acontecer”, disse Haddad.
Também na terça-feira, Simone Tebet, que foi ministra do Planejamento, Gleisi Hoffmann, que cuidava da articulação política, e Paulo Pimenta, que comandou a Secretaria de Comunicação Social, defenderam investigações e se distanciaram de Moraes.
A avaliação entre aliados é que uma manifestação de Lula poderia reduzir o desgaste político provocado pelo caso e evitar que a oposição tente associar o presidente à defesa automática de Moraes. Ao mesmo tempo, o tema exige cautela, já que envolve um ministro do STF e ocorre em meio a uma crise institucional dentro da própria Corte.






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