247 – Em análise contundente na TV 247, o jornalista Alex Solnik avaliou os desdobramentos da recente ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), apontando que a movimentação do ministro André Mendonça ao dar publicidade a um relatório de inquérito ainda não concluído resultou em um tiro pela culatra institucional. Para o colunista, a leitura predominante entre os pares da corte é categórica: Mendonça “meteu os pés pelas mãos” e agora caminha para um isolamento severo no plenário.
A estratégia da exposição e o cálculo político
De acordo com Solnik, a decisão de colocar sob escrutínio público um documento preliminar da Polícia Federal — sem que as apurações tivessem chegado ao termo — não teve motivação estritamente jurídica, mas sim caráter espúrio e premeditado.
“O objetivo dele foi jogar a opinião pública contra não apenas um dos membros da corte, não apenas contra o mais importante membro da corte, mas contra toda a corte. Sua estratégia foi vista como ação política, com o claro objetivo de agradar ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, pontuou o jornalista.
Em vez de desgastar a imagem de Alexandre de Moraes ou constranger a corte como pretendido pela ala bolsonarista, a manobra acabou unindo os magistrados em torno do respeito às prerrogativas e aos ritos internos, consolidando o entendimento de que não será aberta qualquer linha de investigação contra Moraes.
Vícios de forma e a manifestação de Paulo Gonet
O recuo forçado de Mendonça ganha contornos jurídicos sólidos a partir do posicionamento da Procuradoria-Geral da República. O ministro Edson Fachin deverá levar a julgamento o pedido do procurador-geral, Paulo Gonet, que defende a anulação formal do relatório da PF anexado aos autos.
Solnik sublinhou que os argumentos apresentados pela PGR são técnica e institucionalmente incontornáveis:
Incompetência monocrática: Um ministro do STF não possui atribuição constitucional ou regimental para conduzir investigação individual contra outro integrante do próprio tribunal.
Supressão de instância e rito: Qualquer suspeita ou indício referente a um membro da corte deve ser submetido de imediato à presidência do STF e submetido ao crivo do plenário — etapas completamente ignoradas por Mendonça.
Quebra de sigilo irregular: A retirada do sigilo dos autos e a consequente exposição do relatório ocorreram sem provocação da Polícia Federal e sem manifestação do Ministério Público, configurando voluntarismo procedimental.
Isolamento no plenário
Com o placar virtual amplamente favorável à manutenção da estabilidade institucional, a previsão traçada por Alex Solnik é de uma derrota expressiva para o ministro indicado por Bolsonaro.
Ao apostar no espetáculo público e violar a liturgia processual, Mendonça atraiu para si o descontentamento coletivo dos colegas de bancada. Conforme sintetizou o jornalista, a consequência inevitável será a anulação da peça e a desidratação de sua autoridade interna:
“Fez tudo errado. Esse relatório vai ser anulado, e o Mendonça é que vai ficar isolado e com a brocha na mão.”
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