No sábado, o site Poder360, em texto assinado por Guilherme Waltemberg, publicou que o presidente Lula disse “a mais de um aliado” que considera o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, “a maior traição política que sofreu”.

A desinformação do Poder360, depois reproduzida por Mônica Bergamo na Folha e por outros veículos, diz que, nessas conversas com “interlocutores”, Lula teria dito que Galípolo seria ainda “mais traidor do que o ex-ministro Antônio Palocci”. Este, como se sabe, durante as investigações da Lava Jato, acusou Lula de ter recebido propina.

Nesta segunda-feira, dois dias depois da informação plantada, Lula, em jantar com empresários, desmentiu em público a versão atribuída a ele: “Não é verdade”, disse Lula.

A notícia mentirosa chegou ao Poder360 por alguém. Quem? “Amigo” ou inimigo? O site atribui a informação a aliados, ou seja, provavelmente gente que é ou foi do governo e que deseja atacar Galípolo. Existem estruturas de assessorias e auxiliares especializados na plantação desses ataques contra alvos, sendo Galípolo um dos preferidos pelo fogo, em geral “amigo”. Quem? Sabe-se que quem indicou e sustenta o presidente do Banco Central em seu posto é Lula, como ele fez questão de deixar claro durante o mesmo encontro com os empresários.

Nem todo mundo no governo (ou agora no entorno), porém, apoia a presença de Galípolo, mesmo posando como aliado ou até patrono dele.

Impossível não recordar a coincidência de que outro aliado referiu-se a Galípolo, no passado recente, mas de maneira aberta, como é seu estilo, usando o mesmo termo: “traidor”. Foi o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira. Deve ter sido mera coincidência. Fica, porém, a questão: a quem interessa atribuir o ataque contra Galípolo a Lula?