O presidente da China, Xi Jinping, solicitou nesta quarta-feira (2) o aprofundamento da cooperação e do apoio mútuo entre seu país e o Egito. A declaração foi feita durante conversas com o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, em meio a um cenário internacional e regional turbulento. Xi Jinping também apresentou uma proposta para a construção de uma nova estrutura de segurança no Oriente Médio, destacando a importância de uma visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável.

As conversas ocorreram no Cairo, onde Xi Jinping enfatizou o apoio chinês aos países da região na construção de um novo modelo de segurança. Ele ressaltou que o Egito foi a primeira nação árabe e africana a estabelecer relações diplomáticas com a República Popular da China em 1956, e que a parceria estratégica abrangente entre os dois países tem se desenvolvido rapidamente nos últimos anos.

Fortalecimento da cooperação bilateral

Xi Jinping salientou que China e Egito devem firmemente apoiar-se mutuamente, mantendo o ritmo de intercâmbios de alto nível e ampliando a cooperação em todas as áreas. Ele propôs o alinhamento das estratégias de desenvolvimento e a exploração de potencial em setores tradicionais, como infraestrutura, energia e tecnologia de comunicações. Além disso, o presidente chinês sugeriu fomentar novas áreas de colaboração, incluindo energia verde, veículos elétricos, setor aeroespacial, economia digital e tecnologia agrícola moderna.

O líder chinês também defendeu a promoção de intercâmbios culturais, educacionais, científicos, tecnológicos e de saúde. A cooperação em segurança, o combate ao crime transnacional, a luta contra a corrupção e o apoio a esforços antiterroristas foram outros pontos destacados por Xi. Ele também pediu o fortalecimento da colaboração multilateral em plataformas como as Nações Unidas e o BRICS, visando uma governança global mais justa e equitativa.

Em resposta, o presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, elogiou a visita de Estado de Xi Jinping, que coincide com o 70º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países. Sisi reafirmou o compromisso do Egito com o princípio de “Uma Só China” e sua disposição em aprofundar a cooperação em comércio, investimento, manufatura, desenvolvimento de infraestrutura, finanças, ciência e tecnologia, e novas energias. Ele também destacou o papel construtivo da China nos assuntos internacionais e a prontidão do Egito em coordenar-se com a China em fóruns multilaterais.

Nova arquitetura de segurança regional

Durante as discussões, Xi Jinping apresentou uma proposta de quatro pontos para a construção de uma nova arquitetura de segurança no Oriente Médio. Ele defendeu que os países da região devem ser os protagonistas de seus próprios assuntos, rejeitando interferências externas e promovendo o diálogo sobre paz e segurança. Xi Jinping enfatizou a necessidade de uma abordagem abrangente para a segurança comum, buscando soluções para os múltiplos pontos críticos da região, com a questão palestina como um ponto central que não deve ser negligenciado.

A base para a segurança comum, segundo Xi, deve ser fortalecida por meio do desenvolvimento econômico, considerando que a paz e a estabilidade duradouras dependem fundamentalmente do progresso. A China expressou sua disposição em trabalhar com os países do Oriente Médio para salvaguardar as rotas marítimas internacionais, impulsionar a cooperação para o desenvolvimento e construir confiança mútua. Por fim, o presidente chinês pediu o reforço da coordenação internacional, com base na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, e defendeu que a comunidade internacional abandone padrões duplos na região, respeitando a soberania e a integridade territorial dos países locais.

Sisi valorizou a postura imparcial da China na questão do Oriente Médio e reiterou o compromisso do Egito em reduzir tensões e resolver conflitos por meios políticos. Os dois líderes testemunharam a assinatura de diversos documentos de cooperação em áreas como a Iniciativa Cinturão e Rota, inteligência artificial, economia, comércio, cadeias industriais e de suprimentos, economia digital, ciência e tecnologia, educação e transporte. Eles também emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica abrangente.