Na manhã desta quinta-feira, 3 de setembro, novas informações sobre o depoimento de Daniel Vorcaro ao gabinete de André Mendonça revelaram uma mudança de estratégia do dono do Banco Master. Preso, ele passou a oferecer relatos sobre integrantes do governo Lula, apresentou-se como vítima de intimidações da Polícia Federal e escolheu como alvo principal o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Segundo a imprensa, não apresentou provas novas para sustentar as acusações.

Vorcaro, que construiu relações com autoridades ao longo dos anos, parece tentar converter sua rede de contatos em capital de negociação. O material recolhido pela PF indica que ele cultivava acessos com método e os utilizava em momentos de risco. Agora, encarcerado, busca aliados para recuperar a liberdade.

Depoimento sem a PF

Em 27 de agosto, Vorcaro foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, a pedido da defesa, sem a presença da Polícia Federal e com um representante do Ministério Público. Durante quase duas horas, atacou a própria corporação que o investiga, concentrando críticas em Andrei Rodrigues, alegando intimidações e resistência à colaboração.

Mendonça confirmou que se encontrou com Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master. O ministro afirma que houve apenas um encontro, por iniciativa do banqueiro, e que se limitou a ouvi-lo. Depois de tornar-se relator, convocou uma reunião surpresa com investigadores e determinou, em 72 horas, um relatório sobre referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

A Procuradoria-Geral da República apontou irregularidades na iniciativa, sustentando que uma apuração envolvendo ministro do Supremo exigiria autorização da Corte. A sequência de episódios — contato prévio com o investigado, intervenção na atividade da PF e depoimento sem a equipe federal — gerou questionamentos sobre a imparcialidade do relator.

Pressão por afastamento

O presidente do Supremo, Edson Fachin, declarou que adotará as “medidas cabíveis e necessárias”. O artigo original defende que Fachin submeta ao plenário a permanência de Mendonça na relatoria, citando o encontro anterior, a oitiva de 27 de agosto e a diferença de transparência no tratamento de sigilos. A investigação sobre o caso Master avança, mas a credibilidade do processo depende de um relator sem suspeitas de conveniência.