O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou depoimento na semana passada a auxiliares do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e negou as acusações de que teria comandado uma estrutura armada e ameaçado adversários. As declarações foram reveladas pelo jornal Estado de S. Paulo.
Em sua primeira manifestação ao gabinete de Mendonça, Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele, nas quais teria ordenado agressões e ameaças, foram enviadas em um momento de 'nervosismo' e não resultaram em ações concretas. Ele negou qualquer envolvimento com violência e sustentou que a Polícia Federal construiu uma 'narrativa' para justificar sua prisão.
Defesa de Vorcaro
O banqueiro disse que jamais ameaçou alguém e que as mensagens usadas pelos investigadores foram selecionadas entre 'centenas de milhares' de conversas, representando apenas momentos em que ele teria 'esbravejado'. Segundo ele, logo depois das mensagens, ele recuava das ordens e atribuía o teor das conversas ao estado emocional do momento. 'Em centenas de milhares de mensagens, tem quatro ou cinco mensagens que tiram, que eu esbravejei. Nas próprias mensagens, depois quem tiver o interesse de algum dia ler, alguns leram, os advogados leram tudo para ver, é estarrecedor, porque, logo depois, eu já falo que 'esquece isso aí', não sei o quê, 'estava nervoso'', declarou.
Vorcaro também se apresentou como alguém avesso à violência, afirmando ser uma pessoa pacificadora. 'É estarrecedor o que foi feito de narrativa comigo, porque eu sou uma pessoa menos violenta que possa haver, eu pessoa que sou chamada para resolver conflitos. A vida inteira eu fui uma pessoa que… tem alguém brigando, eu sou chamado para resolver, eu sou o pacificador, é o oposto do que eu sou. Eu nunca fiz mal contra qualquer pessoa', afirmou.
Outras acusações
Apesar de negar ameaças e agressões, o banqueiro admitiu ter recorrido a pessoas próximas para obter informações sigilosas de órgãos de investigação. Ele classificou essa conduta como um 'erro', mas negou que tenha ordenado qualquer ato contra adversários. 'Eu cometi erros, eu chamei pessoas para poder me ajudar a levantar informações, isso tudo eu fiz. Eu fiz no ambiente que eu estava sendo atacado. Mas fazer algo contra alguém, eu não fiz contra ninguém. Ninguém, ninguém. Nem mesmo uma ameaça sutil de qualquer coisa. Não intentei contra ninguém', declarou.
Ex-funcionários de uma embarcação de Vorcaro também relataram à Polícia Federal terem sofrido ameaças. O ex-comandante e o ex-chef de um barco ligado ao banqueiro disseram que foram procurados por homens que se apresentaram como intermediários dele. 'O pessoal da marina me avisou que tinham ido lá um pessoal estranho', afirmou o comandante da embarcação.
No mesmo depoimento, Vorcaro negou ter cometido crimes financeiros na operação de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Ele afirmou que se aproximou de políticos em busca de 'proteção' e disse que teria informações para uma delação envolvendo integrantes do governo.
Na noite de quarta-feira, 2, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer ao ministro pedindo o arquivamento do relato apresentado por Vorcaro, sob o argumento de que não havia prova de crime informado pelo banqueiro. O caso ocorre em meio ao avanço de apurações sobre o Banco Master e à crise provocada pela divulgação de diálogos apreendidos pela PF envolvendo Vorcaro e autoridades.







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