Se você é candidato ao Vestibular 2027 da UEL, o recado é simples: respira fundo, revisa o que importa e vai com calma no domingo e na segunda. Mais de 18 mil pessoas disputam 2 mil vagas em Londrina, e todo mundo sabe que a UEL cobra leitura, raciocínio e, principalmente, equilíbrio emocional. É para isso que servem os aulões de véspera — e, neste ano, não faltou opção.

O Curso Sigma e o Colégio Maxi abriram as portas (e o YouTube) neste sábado para dar aquele empurrão final. Quase três décadas de tradição de um lado, 250 alunos reunidos de outro — e todos com o mesmo objetivo: entregar aos vestibulandos o que nenhum cursinho vende em propaganda: confiança. Não é pouca coisa. A gente que já passou por isso sabe: às vésperas da prova, o que pesa não é só a matéria que faltou estudar, mas o medo de travar na hora H.

Quando a educação vira renda

Enquanto uns entram na universidade, outras buscam sair da invisibilidade — e a porta de entrada tem sido a cozinha. O Senac ofereceu curso gratuito de panificação para mulheres em Londrina, e logo em seguida veio outro, de panetones e doces natalinos. São 15 horas de aula, mão na massa, técnica de fermentação, manipulação de alimentos — e a promessa de que dá para transformar farinha, fermento e forno em autonomia financeira.

Eu acredito? Acredito. Mas também sei que não basta ensinar a fazer pão: é preciso ensinar a vender, a precificar, a lidar com cliente, a não quebrar no segundo mês. Capacitação sem acompanhamento vira propaganda de boa intenção. O curso cumpre o papel dele — e cumpre bem, diga-se. Mas a estrutura para que essas mulheres de fato empreendam (crédito, ponto de venda, rede de apoio) continua sendo lacuna que políticas públicas precisam preencher. Até lá, o que tem é gente boa fazendo o que pode com o que tem.

O debate que não chega na escola

Enquanto isso, longe da cozinha pedagógica e da sala de aula de cursinho, a política discute modelos de educação como se discutisse sabor de sorvete: Lula aposta em educação integral, valorização docente e alfabetização na idade certa; Flávio Bolsonaro quer escola cívico-militar e ensino alinhado ao mercado. Nenhuma novidade — é a mesma polarização de sempre, requentada para 2026.

O problema é que, no chão da escola, ninguém está esperando messias. A gente quer salário digno, estrutura que funcione, merenda que chegue, aluno que não suma no meio do ano. Quer saber se o telhado da escola vai aguentar a chuva — literal e metaforicamente. Modelos pedagógicos são importantes, claro, mas de pouco adiantam se a base está rachada. E a reflexão de um professor sobre por que ainda acreditamos na educação resume bem o sentimento: a gente acredita porque não tem como não acreditar. Mas está cansado de ser cobrado por resultados que dependem de muito mais do que boa vontade.

Então, vai lá, vestibulando: faz tua prova, dá teu melhor, e torce para que a universidade pública que você tanto quer ainda esteja de pé — e bem — quando você se formar. Porque, no fim das contas, a UEL resiste. E nós também.

A coluna Sala dos Professores sai todo domingo na seção Educação do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.