A Venezuela formalizou na última quarta-feira (2) uma série de acordos na área de energia com os Estados Unidos. Os termos preveem investimentos que superam os US$ 7 bilhões por parte da Chevron, além de iniciativas para a recuperação da rede elétrica venezuelana e o incremento na produção de petróleo do país. Os anúncios foram feitos durante a visita do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e a assinatura ocorreu no Palácio de Miraflores, em Caracas, após um encontro com a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Além da Chevron, foram apresentados projetos envolvendo outras companhias, como a General Electric, a italiana Eni e as estatais venezuelanas Petróleos de Venezuela (PDVSA) e Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec). Durante a cerimônia, Wright destacou a energia como um pilar fundamental para as transformações econômicas almejadas pela Venezuela, classificando o momento como "histórico". Ele reiterou que o objetivo da administração dos EUA é promover "paz, liberdade e prosperidade" na Venezuela, e que a energia é o "catalisador" para essa mudança, com a determinação de "avançar o mais rápido possível". Delcy Rodríguez também celebrou o dia como um marco para o país.
Investimentos e Metas de Produção
Mike Wirth, CEO da Chevron, informou que a empresa pretende investir mais de US$ 7 bilhões em suas parcerias com a PDVSA na Venezuela. O plano inicial é elevar a produção das joint ventures de 250 mil para 420 mil barris de petróleo por dia. A expectativa é que, em uma etapa posterior, a produção possa ultrapassar a marca de 700 mil barris diários. Wirth agradeceu a Delcy Rodríguez pela oportunidade de expandir a atuação da Chevron no país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo globais. Os acordos foram apresentados como garantidores de investimentos de longo prazo, com a expansão inicial representando um acréscimo de 170 mil barris diários e, na segunda fase, mais de 450 mil barris por dia à produção já existente.
Recuperação da Infraestrutura Elétrica
Delcy Rodríguez salientou a importância dos contratos voltados para a recuperação dos sistemas de transmissão da Corpoelec, considerando a medida um dos pontos mais cruciais dos entendimentos. Ela enfatizou que a eletricidade é "essencial para a vida de uma nação", e que os investimentos deverão gerar "mais empregos, melhores salários" e serviços públicos de maior qualidade, contribuindo para a "transformação de que a Venezuela precisa". Um acordo específico com a General Electric visa restaurar a infraestrutura elétrica da indústria petrolífera, permitindo que o setor tenha capacidade própria de fornecimento e alivie a demanda sobre o sistema elétrico nacional. Segundo Rodríguez, esse projeto é "extraordinário" e possibilitará à indústria de petróleo operar sem sobrecarregar a rede geral do país.
O CEO da Eni, Claudio Descalzi, mencionou que a nova parceria foi fruto de "meses de intenso trabalho", vendo os contratos como o "primeiro passo" para um "futuro esplêndido para a Venezuela". Detalhes financeiros e metas operacionais específicas da participação da Eni não foram divulgados na ocasião.
Estes acordos, que terão duração de 25 anos, foram firmados poucos dias após o anúncio do então presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um entendimento petrolífero com as autoridades venezuelanas, que ele classificou como o "maior da história mundial" e um "presente da Venezuela ao povo dos EUA". Trump indicou que o acerto daria aos Estados Unidos o "controle majoritário" sobre uma parte significativa das reservas venezuelanas. Delcy Rodríguez confirmou a assinatura, apresentando o acordo como um fortalecimento das relações bilaterais e projetando uma receita de US$ 209,335 bilhões para o Estado venezuelano ao longo de 25 anos, com o petróleo a US$ 65 o barril. Apesar das declarações sobre controle majoritário, Rodríguez reforçou que a Venezuela manterá a propriedade e soberania sobre seus recursos naturais.







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