Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná com 50,10% dos votos, terá uma série de desafios a serem enfrentados nos próximos quatro anos de sua gestão. Dentre eles, destacam-se questões relacionadas ao fornecimento de energia, os impactos da crise climática, melhorias na área da saúde e o combate à violência contra a mulher. Em sua primeira declaração como governador eleito, Moro prometeu um governo “honesto e eficiente”, com foco na população e sem tolerância a desvios, além de priorizar o combate à corrupção e a construção de um estado seguro.

Principais desafios

Um dos pontos cruciais a serem abordados por Moro é a melhoria dos serviços da Copel, empresa privatizada em 2023. O estado tem enfrentado problemas no abastecimento de energia elétrica, que já causaram prejuízos significativos a indústrias e produtores rurais. Como exemplo, uma queda de energia em São João do Ivaí resultou na morte de 400 peixes, causando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões. Durante a campanha, Moro se mostrou favorável à privatização, mas enfatizou a necessidade de fiscalização rigorosa e ressarcimento de prejuízos.

Os impactos das mudanças climáticas também exigirão atenção do novo governo. O Paraná tem sido atingido por temporais, ventos fortes e granizo, resultando em alagamentos, perda de plantações e desalojados. Com a previsão de que o El Niño se estenda até, pelo menos, junho de 2027, o governador eleito precisará implementar medidas para minimizar esses efeitos, como a estruturação de uma rede de resposta social e o aumento da resiliência climática na agricultura, conforme detalhado em seu plano de governo.

Na área da saúde, apontada como o principal problema do estado por 28% dos eleitores em pesquisa recente, Moro propõe a criação da Tabela SUS Paranaense, inspirada no modelo paulista. A iniciativa visa complementar os valores da Tabela SUS federal, identificando regiões com maior demanda para dobrar o número de cirurgias eletivas e reduzir o tempo de espera por esses procedimentos.

O combate à violência contra a mulher é outro desafio urgente, uma vez que o Paraná ocupa a terceira posição nacional em número de feminicídios, com 55 casos registrados somente no primeiro semestre de 2026. Moro defende a construção de um presídio de segurança máxima para condenados por feminicídio e a criação de um protocolo estadual de atendimento, padronizando os procedimentos entre as diferentes esferas de atuação, para evitar a revitimização das vítimas.

Relação com o governo federal

A relação com o governo federal também será um ponto importante. Tendo apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial e se posicionado contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Moro aguarda o resultado do segundo turno para definir o cenário político nacional. Embora estados e União possuam autonomia, a colaboração é fundamental em áreas como saúde, educação e infraestrutura, o que pode demandar negociações e parcerias com o futuro presidente do país.