Neste dia 2 de outubro, celebra-se o 157º aniversário de nascimento de Mahatma Gandhi, uma das personalidades mais influentes da história recente. Ele liderou a luta pela independência da Índia, provando que a mobilização popular, alicerçada na organização e na recusa em cooperar com a injustiça, podia desafiar impérios. Sua jornada consolidou a não violência como um modelo global de resistência política.

Nascido em Porbandar, no estado indiano de Gujarat, Mohandas Karamchand Gandhi teve uma atuação que transcendia as fronteiras de sua nação. Experiências com a discriminação racial na África do Sul foram essenciais para moldar seu pensamento sobre igualdade e combate à opressão, conforme informações do Ministério da Cultura da Índia. A importância de seu legado foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, que estabeleceu o 2 de outubro como o Dia Internacional da Não Violência, promovendo a educação para a paz e a busca por soluções pacíficas em conflitos.

Da discriminação ao Satyagraha

Gandhi cresceu em um ambiente religioso, que influenciou sua formação moral. Em 1888, ele viajou para a Inglaterra para estudar direito, aprofundando seu interesse por vegetarianismo e religiões. Após a formação jurídica, retornou à Índia, onde enfrentou dificuldades na carreira de advogado. A mudança decisiva ocorreu em 1893, quando foi trabalhar na África do Sul e se deparou com a discriminação contra indianos. Um episódio marcante foi sua remoção de um vagão de primeira classe por causa de sua cor, apesar de possuir o bilhete correto.

Essa experiência levou Gandhi a organizar a comunidade indiana contra leis discriminatórias, desenvolvendo métodos de resistência que, posteriormente, aplicaria na Índia. A passagem pela África do Sul foi fundamental para transformá-lo em uma liderança pública. No centro de sua filosofia estava o conceito de Satyagraha, que significa a firmeza na verdade e a resistência não violenta. Isso se traduzia em combater a injustiça por meio da ação coletiva, sem usar a agressão contra o oponente.

Marcha do Sal e a soberania econômica

A força dessa estratégia residia na organização e disciplina. Protestos, boicotes e atos de desobediência civil visavam enfraquecer os mecanismos do poder colonial. Essa resistência demandava a disposição de enfrentar repressão e prisão, mantendo sempre o compromisso com a não violência. Ao retornar à Índia em 1915, Gandhi engajou-se em campanhas que conectavam a luta nacional às realidades da população, como a Marcha do Sal em 1930. Ele desafiou a legislação colonial ao coletar sal na costa, transformando um item básico em símbolo de resistência.

A Marcha do Sal demonstrou a habilidade de Gandhi em converter um gesto simples em uma intervenção política de grande impacto. A resistência gandhiana também envolvia a produção e o consumo. A defesa do swadeshi, que promovia a valorização da produção nacional e incentivava a fiação manual, ligava a luta pela liberdade à redução da dependência econômica. A roda de fiar tornou-se um símbolo dessa proposta.

Independência, partilha e o legado

A Índia alcançou sua independência em 15 de agosto de 1947. Contudo, o fim do domínio britânico veio acompanhado da partilha do subcontinente e da criação do Paquistão. Essa transição resultou em deslocamentos de milhões de pessoas e massacres entre comunidades religiosas. Gandhi se opôs à divisão e continuou a advogar por relações pacíficas entre as comunidades e os novos países. Em 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado em Nova Délhi por um nacionalista hindu que discordava de sua defesa da tolerância em relação aos muçulmanos.

A espiritualidade desempenhou um papel crucial na vida de Gandhi, com a Bhagavad Gita sendo uma de suas principais referências, orientando reflexões sobre dever, autodomínio e serviço. Essa relação evidenciava a importância da disciplina pessoal em sua trajetória. O compromisso público com a verdade e a não violência, em sua visão, exigia uma prática diária. A ação política era inseparável de um trabalho contínuo sobre impulsos, interesses e comportamentos pessoais.